20 de fev de 2011

Números

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Dentre todas as coisas feitas pela Natureza, no início dos tempos, são formadas na proporção dos números. Este era o padrão principal na mente do Criador. Decorre daí o número dos elementos, a sequência das épocas, o movimento dos astros e a revolução dos céus. O estado de todas as coisas subsiste pela união dos números; os números, portanto, contém virtudes grandiosas e sublimes.

Observando tantas virtudes ocultas nas coisas naturais, manifestas nos processos da Natureza, não é de admirar que as virtudes dos números sejam muito maiores e mais ocultas, além de serem mais prodigiosas e eficientes. Os números são mais formais, mais perfeitos e existem naturalmente nos seres celestes, não se misturando com substâncias diferentes. Finalmente, os números mesclam-se de maneira mais simples e acima de tudo com as idéias na mente de Deus, de onde recebem suas eficientíssimas virtudes.

Pitágoras diz que "o número é aquilo que faz todas as coisas subsistirem e distribui uma virtude para cada número"...

Proclo diz que "o número sempre tem uma existência na voz, outra na proporção entre as vozes, outra na alma e na razão, e outra ainda nas coisas divinas"...

Temístio, Boécio e Averróis (o babilônio), assim como Platão, sublimam tanto os números que chegam a pensar que ninguém pode ser um verdadeiro filósofo sem o conhecimento deles. Os números indicam um caminho para descobrir e compreender todas as coisas possíveis de serem conhecidas; dão acesso à premonição natural. Era pelo emprego dos números formais que o abade Joaquim realizava suas profecias.

Todos os filósofos eminentes, especialmente Jerônimo, Agostinho, Orígenes, Ambrósio, Gregório de Nazianzo, Atanásio, Basílio, Hilário, Rubanas, Beda e muitos outros, ensinam unanimamente que os números possuem virtude e eficácia prodigiosas, tanto para o bem quanto para o mal. Estes são os mistérios supremos de Deus e da Natureza. Aquele que sabe unir os números vocais e naturais com os divinos, ordenando-os na mesma harmonia, conseguirá operar e conhecer coisas prodigiosas.

Há grandes mistérios nos números porque, não fosse assim, João não teria dito no Apocalipse: "Aquele que tem o conhecimento que calcule o número do nome da besta, que é o número do homem". E esta é a maneira de calcular mais famosa entre os hebreus e os qabalistas.





A UNIDADE

Para os iniciados da qabalah, Deus é a unidade absoluta. A unidade da inteligência humana, demonstra a unidade de Deus. As matemáticas não poderiam demonstrar a fatalidade cega, uma vez que são a expressão da exatidão que é o caráter da mais suprema razão.

Na cabala, a unidade é , o princípio, a síntese dos números, é a idéia de Deus e do homem, é a aliança da razão e da fé. A fé não pode ser oposta à razão, é exigida pelo amor, é idêntica à esperança. Amar , acreditar e esperar, e esse triplo ímpeto da alma é chamado virtude, porque é preciso coragem para realizá-la.

A analogia era o dogma único dos antigos magos. Dogma verdadeiramente mediador, pois é metade científico, metade hipotético, metade razão e metade poesia.

O BINÁRIO

É o número feminino, o yin. Diz a parábola celeste: "A mulher está antes dos homens, porque é mãe e tudo lhe é perdoado de antemão porque dá a luz com dor"

O TERNÁRIO

É o número da Criação.

O QUATERNÁRIO

É o número da força. É o ternário completado por seu produto, o homem. E quando o homem compreender sua essência quaternária, em união com a criação, terá a liberdade. O anjo da liberdade nasceu antes da aurora do primeiro dia antes mesmo de despertar a inteligência, e Deus o denomina estrela da manhã.

"Ó Lúcifer, tu te desligaste voluntária e desdenhosamente do céu onde o sol te inundava com sua claridade, para com sulcar teus próprios raios os campos agrestes da noite. Brilhas quando o sol se põe e teu olhar resplandecente precede o nascer do dia".

Cais para de novo levantar, experimentas a morte para melhor conhecer a vida. És, para antigas do mundo, a estrela da noite; para a verdade renascente, a bela estrela da manhã! A liberdade não é a licença (libertinagem); a licença é a tirania. A liberdade é a guardiã do dever, porque ela reivindica o direito. Lúcifer, cujas idades das trevas fizeram o gênio do mal, será verdadeiramente o anjo da luz (tradução da palavra Lúcifer) quando, tendo conquistado a liberdade ao preço da reprovação fizer uso dela para se submeter a ordem eterna, inaugurando assim as glórias da obediência voluntária. O direito é apenas a raiz do dever, é preciso possuir para dar".

Eis como uma elevada poesia explica a queda dos anjos.

"Deus tinha dado aos espíritos a luz e a vida, depois lhe disse: Amai. - O que é amar?, responderam os espíritos. -Amar é dar-se aos outros, respondeu Deus. - Os que amarem sofrerão, mas serão amados.

- Temos o direito de não dar nada, e nada queremos sofrer, disseram os espíritos inimigos do Amor. -Estais em vosso direito, respondeu Deus -apartai! Os meus querem sofrer e morrer, mesmo para amar. É o dever! "

O anjo caído é aquele que recusou amar; não ama, e é todo seu suplício; não dá, e é toda sua miséria; não sofre, e é seu nada; não morre, e é seu exílio. O anjo caído não é Lúcifer, a estrela da manhã, o porta-luz, é satã, o caluniador do amor.

Ser rico é dar; não dar é ser pobre; viver é a harmonia dos sentimentos gerais; o inferno é o conflito dos instintos carnais. O dever é obrigação, o direito é egoísmo; O dever é amor, o direito é o ódio; O dever é a vida infinita o direito é a morte.

Essa alegoria semita indica a função quaternária.

O QUINÁRIO

È o número religioso. A fé não é a credulidade estúpida da ignorância maravilhada. A fé é a consciência e a confiança do amor. A fé não consiste na confirmação deste com aquele símbolo, mas na aspiração verdadeira e constante às verdades veladas por todos os simbolismos.

Os perseguidores da Roma decaída também chamavam os primeiros cristãos de ateus porque não adoravam os ídolos de Calígula ou de Nero.

A fé é um sentimento comum a toda humanidade. O homem que se isola de todo amor humano ao dizer: Eu servirei a Deus, este se engana. Pois diz o apóstolo João: "Se ele não ama ao próximo que vê, como amará a Deus que não vê?

O SENÁRIO

É o número da iniciação pela prova. É o número do equilíbrio. É o código da ciência do bem e do mal.

O SETENÁRIO

É o grande número bíblico. É a chave da história de Moisés e o símbolo de toda a religião. O Cristo é o dever real que protesta contra o direito imaginário. É a emancipação do espírito que quebra as algemas da carne. É a devoção revoltada contra o egoísmo.

O OCTONÁRIO

É o número da reação e da justiça equilibrante. Toda ação produz uma reação. É a lei universal. O cristianismo produz o anticristianismo. O anticristo é a sombra , o contraste e a prova de Cristo.

Os protestantes disseram: o anticristo é o Papa. O Papa respondeu: Todo herege é anticristo. O anticristo é o espírito oposto ao Cristo. Quem é então o anticristo?

"É a usurpação do direito, o orgulho da dominação e o despotismo do pensamento. É o egoísmo pretensamente religioso de alguns protestantes da mesma maneira que a ignorância crédula e imperiosa dos maus católicos. É o que divide o homem ao invés de os unir, o desejo ímpio de se apropriar da verdade e dela excluir os outros, que condena e amaldiçoa ao invés de salvar e abençoar. É o fanatismo odioso que desencoraja a boa vontade".

O NÚMERO NOVE

É o eremita do tarot; eis o número dos iniciados e dos profetas.

Os profetas são solitários pois o seu destino é, na maioria, nunca serem ouvidos. Vêem muito mais do que os outros.

O Salvador disse à samaritana: "Mulher, em verdade vos digo que virá o tempo em que os homens não adorarão mais a Deus, nem em Jerusalém, nem sobre esta montanha, pois Deus é espírito, e seus verdadeiros adoradores devem servi-lo em espírito e em verdade.

O NÚMERO DEZ

O número absoluto da qabalah. A chave dos sefirotes (Ver o "Dogma e Ritual da Alta Magia")

Substância una que é céu e terra, conforma seus graus de polarização, sutil ou fixa. Hermes Trimegisto chama de grande Telesma. Quando produz o esplendor, ela demonstra-se luz. É essa substância que Deus cria antes de todas as coisas, quando diz: "Fiat Lux" (Faça-se a luz)

É simultaneamente substância e movimento, fluido e vibração perpétua. A força que a põe em movimento denomina-se magnetismo. No infinito, é a luz etérea (ou força eletromagnética). Nos astros é a luz astral; nos seres é o fluido magnético; no homem, forma o corpo astral ou mediador plástico. A vontade dos seres inteligentes age diretamente sobre essa luz e, por meio dela, sobre toda natureza submetida às modificações da inteligência; é o meio pelo qual os magos fazem a maioria dos trabalhos.

Essa luz é o espelho comum de todas as formas e pensamentos; guarda as imagens de tudo que foi, os reflexos dos mundos passados, e por analogia, os esboços dos mundos futuros. É o instrumento da taumaturgia e da adivinhação.

Conhecida por Hermes e Pitágoras, Sinésio e Platão, escola da Alexandria, Mesmer etc.

É essa substância primeira que se designa na narrativa hierática do Gênesis, quando o verbo dos Eloim faz a luz ordenando-lhe que seja. Eloim diz: "Que seja a luz, e a luz foi". Essa luz, cujo nome hebreu é rut, or, é o ouro fluido e vivo da filosofia hermética. Seu princípio positivo é o enxofre; o negativo, o mercúrio e seu equilíbrio é denominado seu sal.

Mesmer informa que nosso corpo astral ou mediador plástico é um imã que atrai ou repele a luz astral astral sob a pressão da vontade. É um corpo luminoso que reproduz com a maior facilidade as formas correspondentes às idéias. Até sob o exercício da vontade.

Nossos corpos fluidicos atraem-se ou repelem-se uns aos outros, segundo leis consoantes à elasticidade. É o que produz simpatias a as antipatias instintivas.

O NÚMERO ONZE

É o número da força; da luta e do martírio.

Todo homem que morre por uma idéia é um mártir, pois nele, as aspirações do espírito triunfaram sobre os temores da carne. Todo homem que morre na guerra é um mártir pois morre pelos outros.

Os que morrem pelo direito são tão bons em seus sacrifícios quanto às vítimas do dever e, nas lutas da revolução, os mártires caem dos dois lados.

Sendo o direito a raiz do dever, nosso dever é defender nossos direitos. O crime é o exagero de um direito. O assassínio e o roubo são negações da sociedade; é o despotismo isolado de um indivíduo que usurpa o governo e a sociedade e faz guerra por sua conta e risco.

Quem não for irrepreensível é cúmplice do todo mal, e quem não for absolutamente perverso pode participar de todo bem.

O NÚMERO DOZE

É o número cíclico; do símbolo universal.

O NÚMERO TREZE

É o número da morte e do renascimento, da propriedade, da herança, sociedade, família, guerras e tratados.

As sociedades têm por base a troca do direito, do dever e da fé mútua. O direito é a propriedade; a troca, a necessidade; a boa fé, o dever.

O NÚMERO CATORZE

É o número da fusão, da associação e da unidade universal.

O NÚMERO QUINZE

É o número do antagonismo.

O cristianismo agora divide-se em Igrejas civilizadoras ou bárbaras; progressistas ou estacionárias; ativas ou passivas ; as que condenam e as que se submetem.

O NÚMERO DESESSEIS

É o número do templo.

O NÚMERO DESESSETE

É o número da estrela, da inteligência e do amor.

O NÚMERO DEZOITO

É o do dogma religioso, que é todo poesia e todo mistério.

Jesus, que foi o último e o mais sublime dos arcanos, a última palavra de todas as iniciações, sabia que não seria compreendido a princípio e disse: "Não suportaríeis agora toda a luz da minha doutrina; mas, quando se manifestar o Espírito da Verdade, ele vos ensinará todas as coisas e explicará o sentido do que eu vos disse."

O NÚMERO DEZENOVE

É o número da luz.

É a existência de Deus provada pela própria idéia de Deus.

A afirmação do ateísmo é o dogma da noite eterna; a afirmação de Deus é o dogma da luz.

OS NÚMEROS VINTE, VINTE E UM E VINTE DOIS

Embora o alfabeto sagrado tenha 22 letras; as dezenove primeiras são a chave da teologia oculta. As outras são as chaves da natureza. O grande agente mágico. Substâncias propagada no infinito que é a décima chave do tarot.

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