31 de mar de 2012

Saque contra o Futuro

Há uma passagem do livro: A Sublimação de Deus, de autor desconhecido, mas com pseudônimo de Domiciano, cuja seção 5, códice 16 diz textualmente: "Como Deus, Ele se oculta em si mesmo. Para todos os efeitos é o Pai. Como seu duplo, apresenta-se aos possuidores de maior luminosidade, em forma de mulher e, portanto, de Mãe. É a "Divina Mãe Celeste", cercada de anjos, que também traz nos pés, em forma de serpente, a própria Lua. Como Ele só, é o íntegro Sol não conhecido dos homens vulgares. Como ambos, Ele é o Pai-Mãe cósmico. Dele e Dela surgiram os sete pais menores e as sete mães da mesma natureza. Aí reside o grande mistério do "saque contra o futuro", em nossa Cadeia".




 

30 de mar de 2012

O Arcanjo Rebelde e seus Mistérios



Um post original de Busca Interior

Irmãos! Dizia o Mestre Henrique José de Souza: “Devemos fazer luz sobre tudo aquilo que o povo desconhece”. Portanto, ao iniciarmos nossa palestra, que diz respeito ao ARCANJO REBELDE, LÚCIFER, e seus mistérios, queiram os Deuses que possamos demonstrar que sobre o referido Arcanjo, foram cometidas as maiores injustiças que a ignóbil maldade humana concebeu e praticou. Também pudera! Se crucificaram o próprio Filho de Deus, o que não fariam com o suposto inimigo do referido Deus? Mas, diz o ditado popular: “O Diabo não é tão feio como se pinta”. A este respeito é que vai corresponder o espírito do nosso assunto de hoje, quando faremos uma síntese para todos aqueles cujos valores espirituais os trouxeram até aqui, para escutarem a abordagem que faremos sobre um tema tão vital, tema que criou o germe de quantas filosofias já frutificaram no seio dos povos, e que sempre gerou a dúvida sofrida por todo homem de pensamento, sob a influência de todos os climas, em todas as épocas e porque não dizer, em cada problemática de sua peregrinação; ou seja, o Mistério do Bem e do Mal, ou o cruel dualismo que se manifesta na vida de cada Ser Humano.

No entanto os próprios designativos que nas várias tradições e idiomas vieram a ser atribuídos a esse hipotético “Ser” já permitem ao pesquisador isento induzir sua verdadeira e transcendental natureza e função.
Veja-se por exemplo, sob uma análise etimológica; a expressão:

DIABO - formado pela contração do termo (latino) DEO + o radical AB (sânscrito) = Primeiro, significando o termo, literalmente: o Deus Primeiro ou Primordial;

SATANÁS (do sânscrito) = SAT = Aquele, Aquilo, etc. (como Causa Una manifestada) + UR = Fogo + ANÁS = Veste. Portanto literalmente: Aquele que tem as Vestes Ígneas (aqui com alusão ao “AGNI”, o Fogo Sagrado e também ao Mental, que gera todas as coisas); daí o designativo:

LÚCIFER = LUX (Luz) + FERO (Carregar) - latinos, ou seja: O Portador da Luz (aqui como Mental, Inteligência, etc..); 
 
SATAN - SAT + OM (contração da palavra sagrada AUM), representativa dos 3 mundos, etc., significando alegoricamente: Aquele (UNO) Manifestado nos 3 mundos, Tronos, etc.

Assim, melhor do que pudessem conceber toda a riqueza da retórica humana, expressa um fragmento de antiquíssimo livro (o “Sutra Dharma”) a grandiosidade desse eterno choque ou jogo entre as duas “Forças Cósmicas”; indispensáveis à própria evolução Universal:

Os dois existem. Um como Espirito, outro como Matéria... nenhum dos dois se entendem, porque um anda em busca do outro. O que está em baixo, nunca sobe.... O que está em cima, desce sempre para salvar a sua “Sombra”, sob a tutela do Divino.
A Um sobra esta parte, e a Outro, esta falta...”

“O verdadeiro sentido esotérico acerca de “Satan” e a opinião que sobre este assunto tinham as filosofias antigas, acha-se admiravelmente apresentada em um apêndice intitulado “O Segredo de Satã”, 2ª edição, de “Perfect Way”, do Dr. A. Kinsford, (página 214):

No Sétimo dia (ou criação) produziu-se da presença de Deus um Anjo poderoso, cheio de ardimento, e Deus lhe deu o domínio da esfera extrema. A eternidade produziu o tempo; o ilimitado deu nascimento ao limite; o SER desceu à geração. Entre os Deuses não há nenhum que se assemelhe aquele em cujas mãos estão depositados o Reino, o Poder, e a Glória dos Mundos... pois, como diz Hermés; Satã é o Guardião da Porta do Templo do Rei, e no pórtico de Salomão estão guardadas as Chaves do Santuário, para que não penetre nele Profano algum, mas tão somente os Ungidos que possuem o Arcano de Hermés. Temei-o e não pequeis; pronunciai tremendo seu nome..., pois Satan é o magistrado da Justiça de Deus. Ele tem nas suas mãos a Balança e a Espada... Satan é, em suma, o Ministro de Deus, o Senhor das Sete Mansões dos Hades e o Anjo dos mundos manifestados.

Somente as religiões exotéricas é que ignoram que o LOGOS é o doador do Mental e da Sabedoria, (Lúcifer) ou Satan. “Satan é o Deus de nosso planeta” representa o Deus Único, e isso sem qualquer sombra de perversidade, pois é UNO com o LOGOS... portanto, quando os religiosos maldizem a Satã, maldizem o reflexo cósmico de Deus na Terra.

Sabemos por outro lado que, existe cosmicamente UM MOMENTO EM QUE SAINDO A CAUSA UNA (ou Unidade Primordial) DE SEU ESTADO DE DESCANSO (Pralaya) ou imanifestação, ao iniciar-se uma nova etapa ou grande Ciclo evolutivo, entram esses dois Aspectos (Bem e Mal) em simultânea e necessária atividade.
Eis aí o instante em que um Luzeiro (Dhyan-Choan, Ishwara, Arcanjo etc.) passa a atuar no mundo manifestado, assumindo o papel e função de “Opositor, necessário pólo de confronto ou contraste com o Princípio Criador, Positivo. Embora esse metabolismo possua particularidades próprias a cada um dos estágios evolutivos, representa essa condição aquilo que, genericamente, pode-se chamar de “Queda do Espirito na Matéria”, o que tanto vale por um Luzeiro, com toda sua série tulkuística imediata (compondo sua própria Jerarquia) desligar-se transitoriamente de sua consciência Divina e passar a atuar cegamente nos planos inferiores ou mais densos da Criação.

Veio com isso a suceder um fato que as antigas tradições registram com o nome de “Queda dos Anjos”, a Taraka Raja Maya (Guerra simbólica nos Céus), da tradição indú, etc., ou mais precisamente, a chamada “Queda dos Assuras”, embora que em verdade a referida “Queda” ou projeção nos planos mais densos do Sistema fosse do Superior sideral imediato dos mesmos Assuras, ou seja o QUINTO SENHOR, ou Luzeiro.

No já referido “Sutra Dharma”, relata-se que o SENHOR DOS ASSURAS (Os Assuras são os Seres que iniciaram a evolução na 1ª Cadeia), (LUZBEL), tendo idéias próprias relativamente à orientação a ser dada aos seres da Terra, sonegou seu trabalho ao Eterno, sendo consequentemente, projetado (ou expulso) com suas Hostes Divinas, do Mundo Superior para o novo mundo que surgia das regiões mais densas do Sistema.

Embora perdendo temporariamente sua Consciência Divina e suas dignidades, veio Ele a adotar no mundo humano o patronímico de LÚCIFER.
Literalmente: Aquele que carrega a Luz, o Portador do facho, mas na verdade a Luz da Inteligência, do MENTAL a ser plenamente desenvolvido pelos seres da terra, até as fronteiras de seu ultimo estágio, o Mental Superior, Abstrato, como pródromo da etapa seguinte, a intuição ou Budhi, apanágio do 6º Luzeiro.

Veja-se por exemplo, como até o Apocalipse, livro Canônico de grande credibilidade, não é bastante explícito, chegando mesmo as fronteiras da infantilidade, quando fala a respeito de Satã. (Apocalipse - XII, 7-9; que relata a “QUEDA”).

E houve batalha no céu, Miguel e os seus Anjos combateram com o Dragão, e o Dragão e os seus Anjos combateram, mas não conseguiram levar a melhor e daí por diante não houve no céu lugar para eles. E o Grande Dragão, a antiga Serpente, o sedutor do mundo inteiro, foi precipitado sobre a Terra e com ele foram precipitados os seus Anjos”. Em seguida fala o seguinte: que “o acusador dos nossos irmãos, que dia e noite os acusavam perante Deus, foi precipitado”.

De qualquer forma embora exista sobre o fato uma deliberada Maya lançada pelos grandes Iniciados de todas as épocas remanesce nessa instância a idéia de haver ocorrido uma sonegação ou rebeldia contra a determinação da Lei em completar-se a evolução interrompida na Lua, por entender o 5º Luzeiro, que as formas ou Seres da Terra eram por demais vis e grosseiros para receberem a infusão do principio Mental.

Consequentemente, veio a Lei a realizar um verdadeiro “saque contra o futuro”, lançando mão de seu 6º Raio (Luzeiro) - AKBEL, o qual passou a assumir na terra a função de pólo positivo ou construtivo, alem de arcar com a responsabilidade de reconduzir seu Irmão (O QUINTO) ao Trono que lhe pertence, passando este último, destarte a personificar o pólo opositor, com as conseqüências e implicações já vistas.

Toda essa problemática, relatando a fusão dos ASSURAS com as chamadas “Filhas dos Homens”, a Humanidade incipiente, e as causas verdadeiras da chamada Queda dos Anjos, vêm sendo registradas em vários Livros Sagrados, Tradições, Folclores e Mitologias, entre elas, o famoso “LIVRO DE ENOCH” - em seu Capítulo VI, texto esse que os Judeus e a própria Igreja católica esconderam e retiraram do contexto de seus respectivos Livros Sagrados.



Lúcifer

Começamos por dizer que LÚCIFER significa o Portador da Luz, da Inteligência, da Sabedoria; é o Divino Rebelde, que através de idades sem conta, gerou e manifestou o poder obstaculizante, a fim de gerar na alma humana a força propulsora do progresso e da evolução, força esta que animou a todos os gênios, guias e inspiradores da humanidade. Lúcifer é o Arcanjo que tendo se sacrificado no Cáucaso da vida física ou nos mundos mais concretos da manifestação universal, houve por bem brandir a espada do Conhecimento Superior, a fim de libertar as humanas criaturas do abutre das paixões grosseiras, das negativas inércias, da ignorância e os seus filhos morbosos: a Superstição e o Fanatismo.

De acordo com os ensinamentos da Sabedoria Iniciática das Idades ou Ciência Esotérica, Lúcifer não é o ANTI-CRISTO.


O Anti-Cristo

Este é o fruto, o resultado, a síntese das emoções e pensamentos maléficos de toda a humanidade. Mas, para demonstrar o que acabamos de afirmar, teremos que nos reportar a estes mesmos ensinamentos, para dizer que o pensamento é força cósmica manipulada pelas Hierarquias Criadoras, responsáveis pela criação de tudo quanto existe nos planos da manifestação universal. Portanto, tudo quanto existe, foi precedido pelo pensamento.

Para melhor compreensão da atuação desta força nos Seres Humanos, diremos o seguinte: assim como o Gerador não é a Energia, nem a Música o instrumento musical, nem a lâmpada a luz, do mesmo modo o pensamento não é o cérebro, mas este, o transmissor e o receptor desta força, que na etapa atual da evolução, se manifesta nos Seres Humanos como pensamento, gerador da inteligência em suas várias gradações. O cérebro humano é, portanto, uma antena que capta também pensamentos de seres encarnados e desencarnados que estejam vibrando na mesma faixa de interesses e propósitos. Se carregado de maus pensamentos, tornar-se-á instrumento de mortíferas energias condensadas na atmosfera, pela baixa condição espiritual dos seres humanos. Sabemos que o Espírito Humano está terminando a etapa evolutiva da Quinta Sub-Raça da Raça Ariana, cujo estado de consciência da humanidade inteira é psico-mental; isto é, Mental Concreto intimamente ligado ao Corpo Emocional. Portanto, a hierarquia humana ainda é mais brutalizada do que propriamente humanizada; razão pela qual ainda existe a Inveja, o Orgulho, a Vaidade, o Egoísmo, o Ciúme, a Avareza; enfim, todas as imperfeições da Alma Humana, que impedem a sua marcha ascensional para um futuro melhor.

Nestas condições, cada Ser Humano, pensando e sentindo a já referida ordem de pensamentos e sentimentos, percorrendo em ondas vibratórias o oceano infinito da matéria substancial que constituem os planos universais, adquirem Vida e Forma que lhes são dadas pelos Elementais – forças plasmadoras da matéria – passando a ser Elementares porque foram criados pelo pensamento humano – a continuidade das mesmas ordens de pensamentos e sentimentos – no caso, maléficos - gerados pela Humanidade durante milhares e milhares de anos, deram como resultado poderosíssimas egrégoras – entidades psico-mentais - verdadeiras centrais de energia psico-mental. A unificação de todas estas egrégoras maléficas é que passaram a construir ou a formar o Buda Negro do Oriente e o Anti-Cristo do Ocidente. Este é, portanto, o fruto dos pensamentos e dos sentimentos maléficos, principalmente dos religiosos, supersticiosos e fanáticos que o alimentam a todos instante e a toda hora, como lhe ensinam os maus Pastores ou Pastores sombrios, Pastófaros ou Condutores do Gado Humano.

Se Lúcifer, como o portador da inteligência e Eterno Rebelde porque sempre se rebelou contra a estupidez e a ignorância humana, lançou mão destas egrégoras e lançou-as contra a humanidade, manifestando-se como Justiça Universal, isto não se discute.


O que nos revelam algumas Tradições

O verdadeiro ponto de vista exotérico acerca de “Satã” e a opinião que sobre este assunto tinha toda a filosofia antiga, acha-se admiravelmente apresentada em um apêndice intitulado “O Segredo de Satã”, na 2ª edição de “Perfect Way”, do Dr. A. Kins Ford (pág 214): “No sétimo dia (ou criação) produziu-se da presença de Deus um Anjo poderoso, cheio de ardimento, e Deus lhe deu o domínio da esfera extrema. A eternidade produziu o tempo; o ilimitado deu nascimento ao limite; o Ser desceu à geração. Entre os Deuses não há nenhum que se assemelhe aquele em cujas mãos estão depositados o Reino, o Poder e a Glória dos Mundos; pois, como dizia Hermes, Satã é o Guardião da Porta do Templo do Rei, e no pórtico de Salomão estão guardadas as chaves do Santuário, para que não penetre nele Profano algum, mas tão somente os Ungidos que possuem o Arcano de Hermes. Temei-o e não pequeis; pronunciai tremendo seu nome, pois Satã é o Magistrado da Justiça de Deus. Ele tem nas suas mãos a Balança e a Espada, pois a Ele estão encomendados o NÚMERO, O PESO E A MEDIDA. Satã é, em suma, o Ministro de Deus, Senhor das Sete Mansões do Hades e o Anjo dos mundos manifestados (idem, 214 e 215)”.


Somente as pecadoras religiões exotéricas é que ignoram – ou os seus falsos sacerdotes ávidos de dinheiro e de poder fingem ignorar – que o LOGOS é Sabedoria e também Lúcifer ou Satã. “Satã é o Deus de nosso planeta e o Deus único, e isso sem sombra alguma, nem metáfora de perversidade, pois é uno com o LOGOS. Portanto, quando os religiosos maldizem a Satã, maldizem o reflexo cósmico de DEUS, anatematizam DEUS manifestado na matéria ou no objetivo; maldizem a Sabedoria para sempre incompreensível, revelada como LUZ e SOMBRA, BEM e MAL na natureza, na única forma compreensível à limitada inteligência do Gênero Humano”. Todos os Cabalistas e Simbologistas demonstram suma repugnância a confessar a queda dos Anjos, desde que os teólogos inventaram o Demônio, colocando um véu teológico entre a Humanidade e Lúcifer, a DIVINA ESTRELA, ou seja, O FILHO DA MANHÃ, criaram os mais gigantescos de todos os paradoxos, uma Luz Tenebrosa e Negra.

Todas as tradições religiosas, inclusive a Bíblia, desde o Gênese até o Apocalipse, são unânimes em afirmar que a Queda dos Anjos se deve ao Orgulho, Ambição e Vaidade do Arcanjo Rebelde. Assim sendo, lançando-se mãos dos ensinamentos da Ciência Esotérica, poderemos esclarecer que os citados sentimentos que fazem parte da imperfeita personalidade humana, não podem ser atribuídas a uma CONSCIÊNCIA CÓSMICA; que tal fato ocorreu e ocorre devido a incapacidade das humanas criaturas para compreenderem a Missão de que foi investido pelo próprio LOGOS-DEUS – tão Excelso SER. Esta incapacidade qual nos referimos se deve a diferença de natureza. Enquanto o Ser Humano evolui seguindo a linha da transitoriedade das formas; isto é, NASCE, CRESCE, MORRE, Lúcifer é Eterno. Entretanto, apesar de estar muito acima da linha traçada para a evolução da Hierarquia Humana, a responsabilidade de sua missão junto a referida Hierarquia, o levou a influenciar de tal maneira o Espírito Humano, que este se viu arrastado para uma dualidade poderosa, que poderá receber o nome de Luta – SIM e NÃO, BEM e MAL, pois que é CAINDO E LEVANTANDO QUE SE REALIZA A EVOLUÇÃO, libertando-se das trevas da ignorância para alcançar a Luz da Sabedoria.

A ignorância dos pecadores sacerdotes é que deu origem a todas as formas imensamente horrorosas, que erroneamente se atribuem a LÚCIFER. Enquanto outros mais evoluídos o consideram ALTIVO E BELO; duma beleza Supra Terrestre, de porte altivo e majestoso. Entretanto, a bem da verdade, devemos esclarecer que por diferença de natureza, olhar humano algum jamais o contemplou.

Irmãos! O estudante da Sabedoria Iniciática das Idades compreende que as massas populares necessitam de um freio moral, porque o Ser Humano está sempre ansioso de um céu, de um paraíso e não pode viver sem um ideal qualquer que lhe sirva de um fanal e de consolo. Mas, neste difícil momento de transição de um Ciclo para outro, e o início da Civilização Aquariana, quando começará o detronamento do “DEUS de cada país e a proclamação da única e universal Divindade; o DEUS da imutável Lei, não o DEUS da piedade; mas o DEUS da justiça distributiva; não o DEUS da misericórdia, que é simplesmente um incentivo para se cometer o Mal e reincidir nele”, e se para nós, não há religião superior a verdade, é nossa obrigação primeira, já que a nossa ESCOLA INICIÁTICA, a Confraria Mística Brasileira, seguindo os ensinamentos do Excelso Mestre Henrique José de Souza, vem trabalhando para a formação da elite espiritual (Humanidade), precursora e construtora da Nova Era, é justo que se diga que se a religião em determinados períodos históricos serviu de armadura protetora para o Ser Humano na sua evolução, também é justo que se diga que foi a pior capa, pois bitolou, dogmatizou a alma humana, impedindo o desenvolvimento mental da Humanidade. Contra esta Capa de Hipocrisia, tecida pela mão velhaca dos falsos sacerdotes, ávidos de domínio e poderio, muitos dos quais na época atual fizeram do sacerdócio um emprego, sempre lutaram contra os supostos demônios e grandes pensadores.

Todas as religiões deturparam a verdade primitiva que foi ensinada por todos os Avataras Cíclicos, que diga-se de passagem, nenhum deles fundou religião alguma. “Todas elas foram fundadas pelo interesse mercantil de seus falsos sacerdotes”.

Queremos com isto dar uma conceituação exata, correta e nítida a respeito do Grande Espírito de Luz.

Quando Jeoshua – o Jesus Bíblico afirma: “Vi Satã cair do céu como um raio (Lucas 10:18)”, é uma simples declaração de seus poderes clarividentes e uma referência à encarnação do Raio Divino.

O sistema cristão não é o único que degradou estes Deuses em Demônios (os Suras ou Deuses em Assuras ou não-Deuses).

O Zoroastrismo e ainda o Brahamanismo aproveitaram-se disso para impor-se a mente do povo e escravizá-la. Quando Jeoshua fala às mentes e aos corações dos convertidos à antiga Religião Sabedoria – que outra não é senão a sempre e eterna renovadora Ciência Esotérica – apresentada com uma nova forma pelo respectivo Avatara, os ensinamentos por ele transmitido, foram desfigurados até o ponto de não serem reconhecíveis, do mesmo modo que o foi a sua própria personalidade, estruturada para ser amoldada ao mais cruel e pernicioso dos dogmas teológicos. Vejamos por exemplo, como até o Apocalipse, livro canônico de grande credibilidade, não é o bastante explícito, chegando mesmo as fronteiras da infantilidade quando fala a respeito de Satã. Vale a pena ler (Apocalipse 12:7-9): “E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos combateram com o Dragão, e o Dragão e os seus anjos combateram, mas não conseguiram levar a melhor e daí por diante não houve no céu lugar para eles. E o grande Dragão, a antiga Serpente, o sedutor do mundo inteiro, foi precipitado sobre a Terra e com ele, foram precipitados os seus anjos”. Em seguida, fala o seguinte: “Que o acusador dos nossos irmãos, que dia e noite os acusava perante Deus, foi precipitado”.

Apesar da simplicidade da narração, entretanto, a mesma não nos parece tão clara como deveria ser. Senão vejamos:

a. Por que razão o Arcanjo Miguel ou Mikael, juntamente com os seus anjos, usaram a força para derrotar o Diabo?

b. Será que Deus, que é Onipresente, Onisciente e Onipotente, não poderia ter evitado a luta e com um só gesto de sua vontade, ter afastado o Rebelde?

c. Se Deus é Onisciente, sabia que o epílogo da batalha lhe seria favorável; e se não sabia, o que teria ocorrido se as milícias de Lúcifer vencessem as de Mikael?

d. A maioria das tradições afirmam que lúcifer foi precipitado no abismo, nas trevas, onde posteriormente foi denominado de Inferno. Entretanto, o Apocalipse afirma o contrário, isto é, que o Diabo, o Dragão, juntamente com os seus seguidores, foi precipitado sobre a Terra. É justo relacionar a Terra onde Satã é o príncipe, com o Inferno? Estas perguntas poderão ser respondidas quando dissertarmos a respeito de:


Lúcifer à luz da Sabedoria Iniciática das Idades

Na sua maravilhosa Obra, a Doutrina Secreta, diz a Mestra Helena Petrovna Blavatsky: “Ou aceitamos a emanação do Bem e do Mal, como ramos do mesmo tronco da árvore da existência, ou teremos que nos resignar ao absurdo de CRER em dois ABSOLUTOS ETERNOS”. Para que possamos tentar interpretar tão sábios ensinamentos, teremos que lançar mão de dois ramos da Ciência Esotérica, ou sejam: a COSMOGÊNESE – origem do Cosmo – e a ANTROPOGÊNESE – origem do Ser Humano; ciências que acreditamos, serão ensinadas nas Universidades do futuro porque somente através delas o Ser Humano, pelo menos de maneira geral, virá a saber quem foi, de onde veio e para onde vai. Portanto, de onde viemos? Suponhamos que houvesse um desequilíbrio na correlação das forças cósmicas, um desequilíbrio na mecânica celeste, e que este desequilíbrio provocasse uma catástrofe cósmica que fizesse desaparecer a Terra, a Lua, o Sol, as Estrelas, os Cometas, a poeira sideral, o Som, a Vibração, a Luz; enfim, desaparecesse tudo, absolutamente tudo. Ficaria o quê? Nada ou a não existência. A esta Não Existência é que Moisés, usando a linguajar da época, chamou de águas do abismo e atualmente, a Sabedoria Iniciática das Idades denomina de Substância Primordial. Esta Substância é alguma coisa; porém, na atual etapa evolutiva é incompreensível, mesmo para o Ser Humano considerado sábio. Todavia, a Ciência Esotérica ensina que inerentes a essa não existência ou Substância Primordial, sub-existem 3 Leis fundamentais; ou sejam: LEI CÍCLICA, LEI DA POLARIDADE, LEI DA EVOLUÇÃO. Portanto, obedecendo a LEI CÍCLICA, a não existência passa a ser existência, o não Ser passa a Ser. Usando a linguagem do Dr. A. Kinsford: “A Eternidade produziu o tempo; o ILIMITADO deu nascimento ao LIMITE”.

Neste ponto, todas as grandes religiões são unânimes ao afirmar que quando este Algo algo surgiu, do ILIMITADO para o LIMITE, surgiu de forma trina, assim representada: é OSIRIS, ÍSIS E HÓRUS para os Egípcios; BRAHMA, VISHNU E SHIVA para os Hindus; PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO para os cristãos; PACHACAMAC, INTI E VIRACOCHA, para os Incas; o SUPREMO ARQUITETO para os Maçons ; o SAGRADO PELICANO para os Rosa Cruzes; o LOGOS para os antigos Gregos; enfim, é DEUS no seu aspecto cósmico.

Diz a tradição oculta que do Uno Trino surgiram os Sete Auto-Gerados, que são sete Consciências Cósmicas que vão criar os Mundos, os Seres, as Coisas, as Multidões. Cada uma dessas Consciências cria o seu próprio mundo e nele se infunde; isto é, o DEUS MANIFESTADO na natureza como VIDA ENERGIA da respectiva CADEIA. Quando isso ocorre, quando o ARCANJO está manifestado, constituindo o próprio corpo da Cadeia em evolução, é sempre orientado espiritualmente pelo ARCANJO que vem a seguir, na escala cronológica de Um a Sete, com exceção da Primeira Cadeia, que foi orientada pelo próprio SUPREMO ARTQUITETO; daí dizer a tradição que a Primeira Cadeia é filha das Trevas ou das noites de Brahma. Por exemplo: a Primeira Cadeia foi orientada pelo Supremo Arquiteto. A Segunda Cadeia pelo 3° Arcanjo. A Terceira Cadeia pelo 4°. A Quarta Cadeia deveria ser dirigida pelo 5°, o que não ocorreu (daí a origem de todos os mistérios relacionados com Lúcifer). A 5ª Cadeia pelo 6°. A 6ª Cadeia pelo 7°, e a 7ª Cadeia pelo Supremo Arquiteto, DEUS. É a manifestação voltando a sua origem, ou a Serpente mordendo a própria cauda, da Simbologia Tradicional.

Devido a grandes dificuldades encontradas pelo Dirigente Espiritual da 3ª Cadeia, o 4° Arcanjo, a Cadeia Terrestre inicia a sua evolução com atraso e com bastante deficiência evolucional, razão pela qual as duas Primeiras Raças da referida cadeia – ETÉRIA E HIPERBÓREA – não tiveram desenvolvimento de Estado de Consciência, apenas as formas se transformaram.

Como poderia então, o Portador da Luz, o Senhor da Inteligência, do Mental, encarnar juntamente com os seus Anjos nestas formas primitivas, cujas, não correspondiam ao seu Estado de Consciência? Aí está a razão da revolta, da batalha travada nos céus e da posterior queda dos Anjos de que nos falam as tradições religiosas, que diga-se de passagem, muito mal interpretada. Mas, nos meados da RAÇA LEMURIANA, quando a onda de vida que alimenta a Cadeia Terrestre chegou ao máximo de densificação, houve necessidade de que o Pólo Espiritual se manifestasse em toda a sua potência, o que ocorreu com a vinda para a terra dos 6° e 7° Arcanjos, e que forçou a descida do 5°, após a batalha travada com o ARCANJO MIKAEL, e que levou milhões de anos depois, o Avatara do Ciclo de Pisces a dizer: “Vi Satã cair do Céu como um raio”.

Com a vinda das já citadas Consciências Cósmicas para o Globo Terrestre, grandes modificações ocorreram e que vieram a beneficiar a nascente Humanidade. A sua consciência que estava focada no Sistema Neuro-Vegetativo passou a se desenvolver juntamente com o Cérebro Espinhal para o desenvolvimento do Mental, que é a tônica do Divino Rebelde. Sabemos que a polaridade existe em toda a natureza; entretanto, era necessário que esta polaridade se fizesse consciente no aspecto humano, para o pleno desenvolvimento do Mental Concreto, porque só neste Estado de Consciência é que se concebe o que seja Bem e o que seja Mal. A polaridade foi instituída, ficando o pólo positivo da evolução com o 6° Arcanjo e o pólo negativo com o 5° Arcanjo – Lúcifer; e que deveria durar até o pleno desenvolvimento do Mental Concreto. Lúcifer e seu irmão, o 6° Arcanjo, passaram a ser dois pólos através dos quais girou toda a evolução da criatura humana. “Sem a atuação desses dois pólos, seria o Ser Humano um simples autômato estático, mas não um realizador dinâmico do seu destino”. Enquanto o Pólo Positivo, através de seus Avataras, lançava as diretrizes evolucionais de acordo com as necessidades cíclicas, inspirando, orientando e amparando as humanas criaturas pela tortuosa estrada evolucional, o Pólo Negativo, Lúcifer, através da tentação e do poder obstaculizante, testava o Ser Humano em evolução, a fim de despertar-lhe a força de vontade, a persistência, a atenção, para poderem alcançar admiravelmente a evolução espiritual.

“A historia da tentação no paraíso contada pela Bíblia mostra o efeito da entrada do principio de Lúcifer quando expõe simbolicamente como, por meio da tentação, foram postas à prova a força e a persistência do par humano. “Os que não venceram tal principio, o da tentação, e que ficaram à margem da evolução, somente eles é que apresentam os efeitos do referido Princípio, com as características da vulgaridade e da infâmia, fazendo com que o Divino Rebelde veja nestas criaturas apenas seres que merecem exclusivamente a destruição, e não o amor e o cuidado”. Teve ele ocasião de dizer, segundo as palavras de um Membro da Fraternidade Branca: “Tenho horror a tudo que seja corriqueiro e vulgar”. O atrito entre estes dois pólos – Positivo e Negativo – atuando dentro da alma humana, criando a harmonia dos opostos, e que veio a ser a causa do desenvolvimento Mental Concreto das criaturas humanas, foi sempre uma realização paradoxal, realizada pela luta evolutiva travada entre Lúcifer e seu irmão, o 6° Arcanjo, no campo da batalha da Humanidade.

Disse o Excelso Mestre Henrique José de Souza: “O Mal perseguindo o Bem, ambos caminham para a neutralidade”. Portanto, a consciência do Bem e do Mal existentes na consciência humana, fazem parte dos planos evolucionais, muito embora a prática do bem proporcione felicidade, enquanto a prática do Mal proporcione infelicidade, mas servirá como experiência, embora dolorosa, para o Espírito Humano em evolução, porque é entre Altos e Baixos, entre Luzes e Trevas, que a Lei Evolucional se fará sentir.

Conforme diziam algumas tradições, o Divino Rebelde, Lúcifer, foi investido pelo próprio LOGOS-DEUS da dolorosa e incompreendida Missão de testar o Ser Humano, criar obstáculos evolucionais, a fim de que o referido Ser Humano pudesse distinguir o Bem do Mal, e com isto, ganhar o desenvolvimento do Estado de Consciência Mental Concreto. Os meios usados pelo Divino Rebelde, para dar cumprimento a sua Missão, são assuntos que dizem respeito a Consciência Cósmica, e jamais poderão ser entendidas por uma consciência humana. Entretanto, a Ciência Esotérica ensina, através da Confraria Mística Brasileira que diga-se de passagem, é uma Escola Iniciática constituída de 9 graus, através dos quais, iniciaticamente, o Discípulo se prepara para quando chegar ao 10° grau, preparado esteja para receber ensinamentos que foram deixados pelo Excelso Senhor Henrique José de Souza, ensinamentos que fazem “arder como nunca, chamas de supremas verdades virgens, jamais entrevistas antes, para o deslumbramento das almas ricas, sensíveis aos grandes mistérios da vida”. Mas, dizíamos: o desenvolvimento do Mental Concreto, que começou muito antes da catástrofe atlante, e se desenvolveu por todo o desenrolar da RAÇA ARIANA, no qual teve papel preponderante a dinâmica do ARCANJO REBELDE, no está chegando ao seu final.

Desde o julgamento cíclico de 1956, a Humanidade absolvida pelo referido Julgamento, ainda que inconsciente, ansiosa está pela construção de um mundo melhor; mundo sem violência, sem crimes, sem miséria, sem desonestidade, sem corrupção, sem desamor. Com o advento da Civilização Aquariana e o início do desenvolvimento do MENTAL ABSTRATO, cujas bases estarão inseridas na Mensagem que será lançada pelo AVATARA MAITRÉIA (que é um estado de ser), conceito de Bem e de Mal, que até então serviu como mola propulsora para o desenvolvimento do Mental Concreto, deixará de existir, e a polaridade cósmica no aspecto humano, que foi formada pela influência dos 5° e 6° ARCANJOS, e que gerou a Consciência Humana, estará equilibrada e o ARCANJO REBELDE terá cumprido a sua Missão, quando simbolicamente, os Dois Irmãos estarão bebendo na mesma Taça.


Final

Irmãos! Para finalizar: Os tempos esperados são chegados. Por isso diremos: dia virá em que a Humanidade inteira reconhecerá que se não houvesse o Poder Obstaculizante, ela, Humanidade, jamais chegaria ao ponto em que chegou.

Pretendemos com os esclarecimentos que foram oferecidos, termos feito um ato de suma justiça, libertando os Seres Humanos do DIABO, ao mesmo tempo que livramos LÚCIFER da ignorância humana.


Mário Amazonas Guimarães
“Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã.” Apocalipse 22:16
 

8 de mar de 2012

Demiurgo - Construtor(es) do(s) Universo(s)

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A palavra Demiurgo significa “Construtor, Artífice” e é habitualmente referida, em termos cosmogônicos, relativamente ao surgimento e formação dos Universos. Foi usada por antigos e notáveis filósofos gregos, nomeadamente por Platão e, a partir daí, por diferentes escolas e autores, com maior ou menor propriedade. Visto que Platão expôs, na medida do possível, e sob os necessários véus, partes relevantes da Ciência Espiritual, é normal que, na exposição da Cosmogonia Oculta, se recorra por vezes a essa palavra.

Poder-se-á imediatamente pensar que “Demiurgo” designa, então, o Deus-Pai Criador de tudo quanto existe; porém, essa é uma formulação simplista e incorreta, que não pode, sem mais, ser subscrita pela Sabedoria Esotérica. Há imensas questões e vertentes a ponderar. Certamente, não poderíamos (ainda que o soubéssemos) expô-las todas. No entanto, não vamos iludir algumas das principais.

A dor e a imperfeição do mundo

Toda a Humanidade é digna de compaixão; contudo, individualmente considerados, somos ainda, muitas vezes, mesquinhos. Grande parte dos seres humanos assemelham-se assim a bonecos de corda. A imagem pode parecer algo dura mas tenta ilustrar uma atitude muito vulgarizada: as pessoas surgem neste mundo, mexem-se muito, fazem e dizem muitas coisas (um considerável número das quais, talvez, completamente inúteis); entretanto, nunca se questionaram por que e para que estão aqui; que é isso que nelas palpita como vida, lhes permite movimentar-se, pensar, ter sentimentos; que sentido real e profundo deve ter as suas existências. Quando o fazem, em grande parte dos casos rapidamente se entregam nos braços de alguma crença mais ou menos simplista ou, quando mais pertinazes, tornam-se fanáticos desta ou daquela Igreja (ou de qualquer outro sucedâneo). É infelizmente raro o genuíno investigador, que busca incessantemente a verdade, que não tem medo de enfrentar as questões e ver o mundo tal qual ele é, que exige respostas profundas, firmes e consistentes.

Não obstante, pensamos que não constitui nenhum exagero afirmar que, decerto, cada um de nós, ao menos uma vez na vida, experimentou a sensação de dor, de sofrimento, de vulnerabilidade ou de verdadeira tristeza. Isto sucede particularmente em momentos mais críticos, quando somos assaltados por uma doença, por um problema pessoal, pela morte (desencarne) de algum ente querido; também, quando observamos os horrores do mundo que nos cerca, especialmente no século que findou (e que também já se indiciam no recém-iniciado), em que a humanidade vem realizando grandes conquistas científicas e tecnológicas mas em que, com isso, construiu meios de destruição autenticamente assombrosos, e em que, aqui e ali, se cometeram iniquidades que nos fazem quase desfalecer de horror ao delas tomarmos conhecimento; quando constatamos o oceano de dor e de loucura em que a humanidade em geral está imersa; quando, enfim, “apenas” sentimos aquela angústia, aquela insatisfação, aquele vazio fundamental que tantas vezes nos acompanha no dia a dia…

Nessas ocasiões, em alguma fase da nossa vida, seguramente nos teremos interrogado se não existe um Deus no “Céu” ou, se ele existe, por que permite que tais coisas possam acontecer no mundo.

O problema do mal

Mais ainda, aliás: quando vemos que não apenas a nós, humanos, nos toca a dor e a miséria, mas que o sofrimento pode ser tão cruento e brutal entre os animais, na sua luta pela sobrevivência e não só; quando vemos que até no reino vegetal há destruição; quando observamos que, na Natureza, há tentativas falhadas, insucessos ou mesmo (aparentes?) aberrações; quando constatamos que todo e qualquer ser que conheçamos é limitado e, portanto, imperfeito; quando, enfim, nos confrontamos com o problema do mal (1) - da existência evidente do mal no Universo, verificamos como têm plena razão de ser as poéticas palavras do Buddha Gautama: “Não te iludas, Ananda, toda a existência está plena de dor. Assim, chora a criança desde que nasce.”. E acrescentava Ele, face a tudo o que tentámos aludir: “Se Deus permite tais coisas, não pode ser bom; ou então, não tem o poder de evitá-las, e não pode ser Deus” (2).

De facto, se existe / se existisse um Deus simultaneamente Absoluto, Criador, Todo-Poderoso e infinitamente Bom, como é que não quis ou não pôde fazer um mundo muito mais perfeito (aliás, infinitamente perfeito) e feliz (aliás, infinitamente feliz, bem-aventurado) do que este? (3).

Respostas incoerentes

A teologia das Igrejas Cristãs ufana-se, literalmente! (4) de ter uma resposta para esse problema. Sintetizando, a sua posição é esta: Deus é uma Pessoa - que é também três pessoas (5) distinta do mundo, que criou do nada (concepção teísta), da mesma forma como cria as almas humanas (porque os animais, por exemplo, não teriam alma) cada vez que é concebido um corpo a que se vão associar. Deus criou o homem para ser feliz neste mundo, embora sempre numa limitada condição. Demoniacamente tentados a serem idênticos a Deus, para tanto comendo da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, remotos antepassados nossos teriam cometido o pecado original, motivo pelo qual temos de sofrer, e muito! neste mundo (assim interpreta o primeiro livro da Bíblia). Alguns milhões de anos depois, Deus enviou o seu Filho (que é Ele mesmo?!) para redimir (os que não nele crerem) do pecado que assim entrou no mundo e para os “conduzir à vida eterna”.

Dificilmente alguma vez se concebeu uma ideia tão incoerente, disparatada e ofensiva do mínimo sentido de justiça e de lógica! Se não, vejamos:

1) Existindo um Deus pessoal, infinitamente justo, criador e governante moral do Universo, onde intervém sempre que e como lhe parece conveniente (6) - que é o que sustentam tais teologias, de que modo podemos entender e aceitar que milhares e milhares de gerações de seres humanos, muitos e muitos milhares de milhões de homens e mulheres continuem a sofrer as consequências de um fato para o qual não contribuíram, visto não existirem no momento em que esse fato foi, por outros,  praticado (lembremos que as Igrejas Cristãs não aceitam a ideia da preexistência das Almas, da Reencarnação e, basicamente, do Karma)? Alguém acharia justo que um juiz nos aplicasse uma pena de prisão e uma multa (com juros e correção monetária, já agora.) por um delito cometido por um antepassado nosso que viveu há - mero exemplo - 100 000 anos atrás? Se tal acontecesse, qualquer cidadão no seu perfeito juízo sentiria a mais profunda revolta, indignação e sentimento de estar a ser alvo de uma injustiça colossal. Decerto, consideraria o juiz (ou, então, o legislador) iníquo, estúpido, monstruoso. Com grande probabilidade, haveriam manifestações de protesto, desacatos, violência. Como, então, admitir que o Legislador e Juiz divino, infinitamente justo e sábio, pudesse ter tal iniquidade, insensatez e monstruosidade? E como se poderia, ainda assim, dirigir-Se-lhe louvores (como os que, supostamente se fazem ou deveriam fazer a um tal Deus)?

Muitas vezes nos interrogamos como é que tais “explicações” podem ser concebidas e aceites, e só encontramos duas razões: o fanatismo retorcido e mal informado de alguns (os inventores de tal história) e a indiferença real do cidadão comum perante qualquer espiritualidade profunda, que de fato não leva a sério e que por isso não questiona - como o faria se estivessem em causa, por exemplo, valores monetários que o afetassem. Aí, e porque a questão lhe importaria, logo vislumbrava a imensidão da injustiça…

2) Se Deus é onipotente e infinitamente bom e faz todas as criaturas como quer, por que concebeu um ser limitado como o ser humano, mesmo no seu estado original de graça? E por que cria seres, como os animais, condenados também ao sofrimento e, segundo tal teologia, à extinção -, não obstante terem sensibilidade à dor, emoções, sentimentos e até inteligência?

3) A isto, acresce uma infinidade de questões, de que só suscitaremos algumas, e, ainda assim, limitando-nos a deixar as perguntas sem mais comentários: deveria o ser humano permanecer infantilmente sem discernimento próprio, sem ciência (do bem e do mal)? O original do livro do Gênesis (7) fala em um Deus ou em os Elohim (uma pluralidade, uma hierarquia)? E por que, no mesmo livro, ora se fala nos Elohim ora em Jeová (e, ainda, no meio, em Elohim-Jeová)? E a primeira palavra bíblica, ainda no Genesis, palavra essa que é Berasit ou Berasheth significa no princípio (no sentido de, no início, no começo) ou significa Sabedoria (na qual foram criados os Céus e a Terra, etc.)? E como poderia ser Deus infinito e absoluto, se fez surgir mundos e criaturas do nada, (o que quereria dizer) de algo que não Ele próprio? E, por qual explicável e aceitável razão - visto que a Humanidade tem já uma Idade tão longa - Deus não teria desencadeado imediatamente o Seu plano de salvação, e só há apenas dois milénios (depois de incontáveis outros terem decorrido), o Seu Filho veio à Terra (lembremos que os menos de 4000 anos de Judaísmo e os 2000 anos de Cristianismo são uma ínfima fração da História da Humanidade)? Enfim, por que existem textos cosmogô  nicos e antropogenéticos muito mais antigos do que o Genesis e de que este é um simples resumo mais ou menos confuso?

O segundo Deus

O fato é que existe dor, limitação e falhanços no Universo. Por alguma boa razão, os gnósticos cristãos de há cerca de dois milênios atrás - infelizmente considerados como hereges pelo Cristianismo deturpado que depois triunfou - consideravam Jeová como demiurgo de um mundo inferior, imperfeito, recusando a sua identificação com o Pai Celestial referido por Jesus e, menos ainda, com o Absoluto. Pretendiam, esses gnósticos - como Simão, Marcion, Valentino, Basílides e, de algum modo, o próprio S. Paulo, cortar a ligação com o Jeová ciumento e vingativo que aparece em tantas páginas do Antigo Testamento. (Alguns gnósticos referiam-se a Ialdaboath como o criador do nosso globo físico, i.e., a Terra, como se poder ver no Codex Nazareus - o Evangelho dos Nazarenos e Ebionitas, e identificavam-no com Jeová. Ilda-Baoth é o “filho das Trevas”, num péssimo sentido. Para mais desenvolvimentos, (cfr. “Ísis sem Véu” e “Glossário Teosófico”, de Helena Blavatsky). Por herético que este conceito hoje possa parecer, é difícil negar que ele encontra acolhimento no Evangelho segundo S. João. Lembremos partes do seu 1o Capítulo: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus… Ele estava no princípio junto de Deus… Ninguém jamais viu a Deus”. Ora, este Deus Supremo, que “ninguém jamais viu”, não pode ser o Jeová visto e descrito no Velho Testamento.

“Pronunciou Jesus, alguma vez, o nome de Jeová? Alguma vez pôs ele em confronto o seu Pai com esse Juiz severo e cruel; o seu Deus de misericórdia, amor e justiça, com o gênio judeu da retaliação? Jamais! Desde o memorável dia em que pregou o seu Sermão da Montanha, um imensurável vazio se abriu entre o seu Deus e aquela outra divindade que fulminava os seus mandamentos de uma outra montanha - o Sinai” (8) (9).

Em qualquer caso, sempre os filósofos mais ilustrados se recusaram a identificar o Demiurgo com a Divindade Suprema, tendo ficado célebre a denominação que lhe foi dada por Filon : o segundo Deus.

O problema do mal acima mencionado tem perturbado alguns dos mais notáveis pensadores,  veja-se, por exemplo, a preocupação de Leibniz (10) em tentar demonstrar que Deus tudo fez da maneira mais desejável, não podendo ter feito melhor.

Ainda o referido problema acabou por conduzir mesmo alguns honestos buscadores da Verdade a uma posição de ateísmo (ou, pelo menos, de agnosticismo).

A Ciência Oculta reconhece a incompatibilidade entre o fato de existir um Universo sublime e extraordinariamente ordenado, mas imperfeito, e a ideia de que tenha sido criado por um Deus Absoluto. Sustenta, aliás, que o Absoluto não poderia conceber nem criar (pelo menos, diretamente) o relativo e condicionado e, menos ainda, algo de externo a si; a Criação a partir do nada, suporia acrescentar algo ao Absoluto, o que é insustentável. Não obstante, o Ocultismo não é agnóstico (é por isso que é Ciência) e tão pouco é ateísta - exceto no sentido de rejeitar as concepções antropomórficas do Divino.

Várias acepções de divino

O Esoterismo associa a ideia de Divindade a três níveis fundamentais, que indicamos em seguida, de forma sucinta:

I) Um Princípio Universal, Impessoal, Ilimitado, Inominado e Inefável, absoluto Ser e não-Ser (bem como Consciência absoluta, e absoluta Inconsciência de qualquer coisa limitada), porque o seu único atributo é Ele mesmo. É Causa incausada, infinita e eterna; a Realidade Una e Absoluta, anterior e transcendente a tudo o que é manifestado ou condicionado.

Estamos perante o Parabrahman (ou, ainda, o Brahman Supremo, o Brahman Indiviso ou o Brahmam Nirguna, i.e., sem atributos) dos vedantinos, o Ain Soph dos cabalistas, o Deus Supremo Ignoto dos antigos gregos, o Deus Imanifestado ou Transcendente de uma teosofia cristã. Em última instância, porém, o uso da palavra “Deus” (mais a mais, atendendo ao sentido que vulgarmente lhe é dado) é equívoca. Aquilo a que se alude aqui não é a (Deusa) ou a um Deus mas sim ao Espaço Infinito e Ilimitado, de onde tudo desponta, o Grande “Contenedor”, o Arik-Anpin (o nome dado, neste sentido, ao Universo pelos cabalistas) - aquilo que Sempre é, foi e será, ainda que todos os mundos existentes desapareçam (11) (12).

II) A 2a proposição da Doutrina Secreta (11) refere-se aos “Universos inumeráveis manifestando-se e desaparecendo… como o fluxo e o refluxo periódico das marés”.

Temos, deste modo, os Logos Criadores que, emanando ou radiando da Realidade Una e Imanifesta, se tornam a Divindade Manifestada e Imanente de um Universo - desde o Ser Supremo do Cosmos total aos Logos Solares ou, ainda, aos Logos Planetários. Cada um destes Seres pode ser considerado o Deus, o Brahman Inferior ou o Brahman Saguna (i.e., com qualidades) ou Ishvara do Seu próprio Universo, do qual é o mais elevado Espírito. Cada um destes Seres é o Demiurgo na esfera do Seu próprio Cosmos.

Entretanto, a referência ao Logos ou Demiurgo é, também ela, uma simplificação. O Logos é o mais elevado Hierarca de um Sistema ou Cosmos (13), i.e., o vértice superior de uma Hierarquia, de uma Legião, de um vasto conjunto de Criadores; o Demiurgo expressa uma coletividade abstrata de Construtores.

A “Doutrina Secreta”, diz Helena P. Blavatsky, “admite um Logos, ou um (Criador) coletivo do Universo; um Demiurgo, no mesmo sentido em que se fala de um (Arquiteto) como Criador de um edifício; muito embora o Arquiteto nunca houvesse tocado em uma pedra sequer, mas simplesmente elaborado o plano, deixando todo o trabalho manual ao cuidado dos operários. No nosso caso foi, o plano, traçado pela Ideação do Universo, e a obra de construção entregue às Legiões de Forças e Potestades inteligentes. Mas aquele Demiurgo não é uma Divindade pessoal, isto é, um Deus extra-cósmico imperfeito, e sim a coletividade dos Dhyân-Chohans (Segundo a Teosofia, os Dhyan-Chohans são, em certo sentido, os próprios homens, pois foram eles que forneceram a Mônada, a Essência divina do Homem.  Há sete classes de Dhyan-Chohans, associados aos sete planetas sagrados do nosso sistema solar. e das demais forças”.) (*Vide - A  HIPOSTASE  DOS ARCONTES exegese no Livro do Gênesis do primeiro ao sexto capítulo e expressa uma mitologia gnóstica da criação do cosmos e da humanidade. O texto foi encontrado na Biblioteca de Nag Hammad (Codex II) em 1945)
. Esta era igualmente a concepção de Platão. Ao referir-se ao Demiurgo, não pensava ele em um ou o Deus (ainda que, por vezes, certas traduções e interpretações, incapazes de se apartar dos preconceitos culturais e religiosos de hoje, pareçam fazer supor que sim). Com efeito, “Há que sublinhar o caráter politeísta do conceito de divindade que Platão nos apresenta no Timeu: a divindade é participada por vários deuses, cada um dos quais tem uma função e domínio próprios, sendo o demiurgo tão só o seu chefe hierárquico”; “Não há aqui qualquer sinal de monoteísmo: na crença da divindade está a crença nos deuses: a divindade é participada igualmente por um número indefinido de entes divinos, dos quais os mais elevados têm nos astros os seus corpos visíveis (Leis, 899-a-b)” (14)

A distinção entre o Divino Imanifestado e o surgimento do Demiurgo no plano de transição do Manifestado/Manifestado (15), justificam a sua já referida designação como “Segundo Deus”, que “é a Sabedoria do Deus Supremo” (16).

O Demiurgo forma o Cosmos do Caos. É o vórtice que atua na Substância Pré-Cósmica (na Raiz da Substância, ou Mulaprakriti, como a denominam os vedantinos) e que a ativa, despertando-a para a existência Cósmica. O Eterno Pensamento Divino Absoluto, no Imanifestado, volve-se em Ideação Cósmica, com o Plano concreto para um Universo. A Mente Cósmica vem então à existência - passa da potência ao ato, porque despertam os Ah-Hi (17), os Dhyan-Chohans (18), os deuses, as Potências Criadoras, os Filhos Radiantes da Aurora Manvantárica, as Estrelas que exsurgem das Trevas Primordiais e que passam a ser a substância e o continente dessa Mente Cósmica (19) ou Alma Universal (20) ou Sofia ou Ennoia-Ofis (21) ou Binah (22)

Damos novamente a palavra a Helena Blavatsky, em dois excertos da sua obra principal: “O Caos, segundo Platão e os pitagóricos, tornou-se a Alma do Mundo (Anima Mundi). O Primogénito da Divindade Suprema nasceu do Caos e da Luz Primordial, o Sol Central. Esse Primogénito não era, contudo, senão o agregado da Legião dos Construtores, que as teogonias antigas chamavam de Antepassados, nascidos do Abismo ou Caos e do primeiro Ponto”; “As diferentes cosmogonias mostram que a Alma Universal era considerada por todas as nações arcaicas como a Mente do Demiurgo criador; e que era chamada a Mãe, Sofia ou a Sabedoria feminina, pelos gnósticos; Sephira pelos Judeus e Sarasvati ou Vâch pelos hindus - sendo também o Espírito Santo um princípio feminino.”

O Universo é construído de acordo com os modelos dos Eide ou Ideias a que se referia Platão, e das quais o Demiurgo - a coletividade de Inteligências Espirituais que o integram, se serve para ordenar a Substância e transformar o Caos em Cosmos. Assim, o Demiurgo é o agente das Leis Divinas que regem o Universo.

III) Cada um dos Dhyâni Chohans, Inteligências Divinas, Potências Criadoras ou deuses, por outras palavras - que, como dissemos, integram coletivamente o Demiurgo, o Logos, o Verbo Criador do Pensamento Divino, colaborando na construção, sustentação e direção de todo o Universo objetivo, de cada uma das suas formas, de cada um dos seus átomos. Assim, todas as Entidades, no seu próprio plano de raiz divina - como deuses, integram uma das grandes Hierarquias Criadoras, em que as Monadas Humanas, os Homens Divinos se incluem. O Universo existe (ou é) trans-temporalmente no Pensamento Divino mas vai-se executando num longo devir, através do concurso de todas as unidades de vida divinas (as realidades íntimas de todas as existências) que vão progredindo, em graus cada vez mais elevados, através da ativação da sua inteligência criadora latente. E todos somos co-responsáveis em tornar o Universo mais perfeito.

Os Dhyâni-Chohans ou Hierarquias Criadoras são mencionados nas tradições mais ocidentais (e, sem muito rigor, chamadas, monoteístas”) como Filhos de Deus, Homem Primordiais, Elohim, Anjos (diferentes dos lamentáveis e abusivos tratamentos que lhes são dados em literatura recentemente muito vulgarizada), Arcanjos, Tronos, Virtudes, Potestades, Dominações, Principados, Querubins, Serafins, Potências, Degraus, Anuphaim, Sete Espíritos diante do Trono, Anciãos, etc.

O Demiurgo e a Substância

O Ocultismo afirma a eternidade da Matéria, ou antes, da Substância, ou melhor ainda, do Espaço que é a sua matriz e essência supersensível. “A matéria é tão indestrutível e eterna como o próprio espírito imortal, mas (…) não como formas organizadas”(11). Reproduzimos aqui perguntas endereçadas a dois grandes Sábios e as respostas que estes deram:
“Qual é a única coisa eterna no universo, independente de outras coisas? O Espaço. Que coisas são co-existentes com o espaço?
(I) A duração. (II) A matéria. (III) O movimento, porque este é a vida imperecível (consciente ou inconsciente, conforme o caso) da matéria, mesmo durante o Pralaya (24) (25). Deve salientar-se, pois, que, para o Ocultismo, não existe tal coisa como Matéria morta. A Vida Una e Onipresente “… não só penetra mas é a essência de cada átomo da Matéria; e, portanto, ela não apenas tem correspondência com a Matéria mas possui também todas as suas propriedades…” (Um no todo e todo no um) (25). Como também já referimos inúmeras vezes, na concepção Esotérica, a Matéria não é apenas a Substância física que os nossos sentidos apreendem e que as ciências experimentais estudam, visto que existem níveis de substancialidade imensamente mais sutis, numa hierarquia septenária de Planos. Existe, por exemplo, substância ou matéria do Plano Mental… e de outros ainda mais elevados, habitualmente ditos Espirituais (em todos os Planos existem os dois pólos, Espírito e Matéria, inter-relacionados, embora em diferentes condições e peso relativo). O que, afinal, a Ciência Oculta afirma é que nada é destituído de substância; que tudo tem, necessariamente, um substratum ontológico; e que o Ser, no nível primevo do Cosmos, é a Essência Una tanto do pólo Espírito, como do pólo Matéria.

Assim, o Demiurgo forma o Universo a partir de uma matéria prima já existente, porque eterna - a chamada criação ex nihil (a partir do nada) não faz sentido, porque nada pode ser nada, porque o nada não pode existir, exceto se dermos à palavra nada o sentido de “sem atributos”. Nos níveis inferiores da existência universal a matéria é mais densa, e as Ideias, de acordo com as quais os mundos são formados e evoluem, manifestam-se menos cristalinamente e também são menos elevadas e perfeitas as Potências Criadoras operantes. Como já referira Platão no “Timeu” (a sua principal obra cosmogónica), o Demiurgo não é onipotente: produz o Cosmos tão bom “quanto possível” (30-b) e tem de conformar-se com os efeitos contrários da “necessidade” (47e-48a) - da necessidade da existência condicionada e da necessidade Kármica.

A importância da Cosmogênese Ocultista

Embora, haja quem possa entender árido e inútil abordar as questões mais sutis e profundas da Cosmogênese, a sua compreensão tem implicações incontornáveis nos paradigmas culturais, científicos, religiosos vigentes e que condicionam o mundo.

Por exemplo: a clara noção de uma Ser-dade (Be-Ness, na expressão de H. Blavatsky), como Princípio Absoluto, Incriado e Incriador (de qualquer coisa relativa) e, distintamente, do Logos ou Demiurgo, como “agregado coletivo de todas as inteligências espirituais criadoras” - mas não absolutas nem perfeitas, por isso que se manifestam no espaço e no tempo relativos , evoluindo para patamares cada vez mais amplos e elevados (26), permite encarar o já referido - e dramático - “problema do mal”; torna evidente a realidade da justiça no Universo, já que ele depende do querer coletivo de todos os Filhos do Divino; responde satisfatória e plenamente à pergunta dos cientistas: “Se o Universo é obra de um Deus perfeito e Onipotente, como é que a Natureza parece revelar tentativa e erro, ou seja, tentativas falhadas?” (V., exemplificativamente, “Cosmos”, de C. Sagan); põe termo às perguntas “Deus existe?”, “Crê em Deus ou não?” e “Se Deus criou tudo, quem é que criou Deus?”, porque a resposta seria evidente e as perguntas descabidas e sem sentido: O Ser (o Espaço no sentido mais radical e profundo) é eterno e necessário.

José Manuel Anacleto
Presidente do Centro Lusitano de Unificação Cultural

(1) Seja o mal físico, metafísico ou moral.
(2) O Senhor Buddha Siddharta Gautama referia-se aqui, naturalmente, a uma Divindade pessoal ou distinta do Universo, concepção que rejeitava. Porém, tinha TAT - O Absoluto Incognoscível em si mesmo - como pressuposto incontornável. O Budismo é às vezes considerado ateísta (somente) por recusar a existência de um Deus mais ou menos antropomórfico; e, nesse sentido, tal recusa é bem compreensível e louvável.
(3) Parte do que aqui escrevemos havia por nós sido expresso na série de conferências que deu origem ao livro “Para um Mundo Melhor” (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 1997).
(4) A título meramente exemplificativo, cfr. “História da Filosofia” de Humberto Padovani e Luís Castagnola, obra com Nihil Obstat, Imprimi Potest e Imprimatur.
(5) As três “Pessoas” da Santíssima Trindade. Confunde-nos muitíssimo a frase muito repetida, nas Igrejas Cristãs, que Deus é uma Pessoa. Uma Pessoa!!!…
(6) Se intervém, se precisa de intervir, é (seria) porque a Ordem que dispôs não é perfeita…
(7) O primeiro da Bíblia.
(8) In “Ísis sem Véu”, de Helena Blavatsky (Ed. Pensamento, S. Paulo, 1990).
(9) Nem a autora destas palavras nem nós deixamos, entretanto, de ter profundo respeito pelo conhecimento oculto - cabalístico - existente no seio do Judaísmo.
(10) Cfr. “Discurso de Metafísica”. Leibniz (1646-1716) foi indiscutivelmente uma das maiores inteligências da moderna civilização ocidental. Como faz notar Helena Blavatsky, conciliando o seu sistema com o de Spinoza (e abstraindo dos eufemismos a que a ditadura ideológica da época os obrigava), têm-se muitas das noções fundamentais do Ocultismo.
(11) Cfr. “A Doutrina Secreta”, de Helena P. Blavatsky (Ed. Pensamento, S. Paulo, 1973).
(12) Tratámos também desta temática, mais amplamente do que neste artigo, no nosso livro “Transcendência e Imanência de Deus” (Centro Lusitano de Unificação Cultural, Lisboa, 2001).
(13) No pequeno Cosmos que é o homem, o (seu) Logos é o 7o Princípio (Atman; o Espírito, a Vontade Espiritual); Cfr. “Consciencia e Inmortalidad”, de Subba Row (Ed. Kier, Buenos Aires, 1994).
(14) “História da Filosofia, Vol. I” de Nicola Abbagnano (Ed. Presença, Lisboa, 1976)
(15) Nível ou momento por vezes identificado com o 2o Logos. Cfr. “The Divine Plan”, de Geoffrey Barborka (Theosophical Publishing House, Adyar, 1964) e “Transactions of the Blavatsky Lodge” (The Theosophy Company, Los Angeles, 1987).
(16) Filon, “Quoest, et Solut”.
(17) Ah-Hi - Dragões da Sabedoria ; Dhyan-Cohans.
(18) Dhyan-Chohans - “Senores da Luz” ou “Senhores da Meditação Profunda”. As Inteligências Divinas encarregues da construção e superintendência do Cosmos.
(19) Mahat, em sânscrito.
(20) Ou Anima Mundi.
(21) Entre alguns Gnósticos, nomeadamente Basílides e os Ofitas.
(22) Binah - Uma das Três Supremas da Árvore da Vida. Entendimento, Inteligência, Leis regentes do Universo. Chamada o Grande Mar e a Mãe Suprema ou Grande Mãe e equivalente a Sofia.
(23) Quando São Paulo falava de Cristo como o “primogénito” referia-se ao Logos, ao Cristo Cósmico. Há uma analogia precisa entre o Macro e o Microcosmo. O Homem Espiritual vem a ser o Logos dos seus veículos. Lembremos outra frase de Paulo: “Cristo em nós, esperança de glória”.
(24) Pralaya - um Período de noite ou repouso cósmico, total ou relativo. O contrário de Manvantara (período de actividade cósmica).
(25) “Cartas dos Mahatmas para A. P. Sinnett” (Ed. Teosófica, Brasília, 2001)
(26) Sobre esta questão, cfr. o que escrevemos nos o 10 - artigo “Ordem e Inteligência do Cosmos” - e 15 - artigo “A Matéria na Perspectiva do Ocultismo” - da Biosofia.
Fonte: Biosofia 
Crédito Imagem: Jorge Becerra Pereira


5 de mar de 2012

Ame a Si Mesmo e Observe

By Osho


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“Ame a si mesmo e observe – hoje, amanhã, sempre”... BUDA
O amor é o alimento da alma. Assim como a comida é para o corpo, o amor é para a alma. Sem comida o corpo enfraquece, sem amor a alma enfraquece. E nenhum estado, nenhuma igreja e nenhum interesse investido jamais quiseram que as pessoas tivessem almas fortes porque uma pessoa com energia espiritual está fadada a ser rebelde.

O amor lhe faz rebelde, revolucionário. O amor lhe dá asas para voar alto. O amor lhe dá insight nas coisas, assim ninguém pode lhe enganar, lhe explorar, lhe oprimir. E os padres e os políticos só sobrevivem com o seu sangue – eles só sobrevivem na exploração. Eles são parasitas, todos os sacerdotes e todos os políticos.

Para lhe tornar espiritualmente fraco eles descobriram um método seguro, cem por cento garantido, e esse é ensinar a você a não amar a si mesmo – porque se um homem não pode amar a si mesmo ele também não pode amar mais ninguém. O ensinamento é muito ardiloso. Eles dizem: Ame os outros – porque eles sabem que se você não puder amar a si mesmo você não pode amar de maneira nenhuma. Mas eles continuam dizendo: Ame os outros, ame a humanidade, ame a Deus, ame a natureza, ame sua esposa, seu marido, seus filhos e seus pais, mas não ame a si mesmo, porque, segundo eles, amar a si mesmo é egoísta.

Eles condenam o amor-próprio mais do que qualquer outra coisa – e eles fizeram seu ensinamento parecer muito lógico. Eles dizem: Se você amar a si mesmo você se tornará um egoísta, se você amar a si mesmo você se tornará um narcisista. Isso não é verdade. Um homem que ama a si mesmo descobre que não existe nenhum ego nele. É amando os outros sem amar a si próprio, é tentando amar os outros que o ego surge.

O amor nada sabe de dever. Dever é um fardo, uma formalidade. Amor é uma alegria, um compartilhar; o amor é informal. O amante nunca sente que ele fez o bastante; o amante sempre acha que mais é possível. O amante nunca sente, ‘Eu favoreci o outro’. Pelo contrário, ele sente, ‘Devido a que meu amor foi recebido, estou agradecido. O outro me favoreceu por receber meu presente, não o rejeitando’. O homem do dever pensa, ‘Sou mais elevado, espiritual, extraordinário. Vejam como eu sirvo as pessoas’!

Um homem que ama a si mesmo respeita a si mesmo e um homem que ama e respeita a si próprio respeita os outros também, porque ele sabe, ‘Assim como eu sou, os outros também são. Assim como gosto do amor, respeito, dignidade, os outros também gostam’. Ele se torna cônscio de que não somos diferentes, no que diz respeito ao essencial, nós somos um. Estamos debaixo da mesma lei: Aes dhammo sanantano*.

O homem que ama a si mesmo desfruta tanto do amor, se torna tão contente, que o amor começa a transbordar, começa a alcançar os outros. Tem que alcançar! Se você vive o amor, você começa a compartilhá-lo. Você não pode continuar a amar a si mesmo para sempre porque uma coisa ficará absolutamente clara para você: que se amando uma pessoa, você mesmo, é um êxtase tão tremendo e tão belo, tanto mais êxtase está esperando por você se você começar a compartilhar seu amor com muitas pessoas!

Lentamente as ondulações começam a se expandir cada vez mais longe. Você ama outras pessoas; então você começa a amar os animais, os pássaros, as árvores, as pedras. Você pode preencher todo o universo com o seu amor. Um simples indivíduo é suficiente para encher todo o universo com amor, assim como um simples seixo pode encher todo o lago de ondulações – um pequeno seixo.

O homem precisa se tornar um deus. A menos que o homem se torne um deus não poderá haver nenhum preenchimento, nenhum contentamento. Mas como é que você pode se tornar um deus? Seus sacerdotes dizem que você é um pecador. Seus sacerdotes dizem que você está condenado, que você está destinado a ir para o inferno. E eles lhe tornam muito temeroso de amar a si mesmo.

Eis porque as pessoas são tão eficientes em descobrir defeitos. Elas encontram defeitos em si mesmas – como é que elas podem evitar encontrar os mesmos defeitos nos outros? Na verdade, elas irão encontrá-los e irão engrandecê-los, irão torná-los tão grandes quanto possível. Esse parece ser o único meio de defesa; de alguma maneira, para salvar as aparências. Você precisa fazer isso. Eis porque existe tanta crítica e tanta falta de amor.

Digo que esse é um dos mais profundos sutras de Buda, e só uma pessoa desperta pode lhe dar um tal insight.

A pessoa que ama a si própria pode facilmente se tornar meditativa, porque meditação significa estar consigo mesmo.

Se você odeia a si mesmo – como você faz, como foi dito a você para fazer, e você tem seguido isso religiosamente – se você odeia a si próprio, como é que você pode ficar consigo mesmo? A meditação não é outra coisa senão desfrutar de sua bela solitude e celebrar a si próprio. Eis o que é toda a meditação. A meditação não é um relacionamento. O outro não é absolutamente necessário; somos suficientes para nós mesmos. Somos banhados em nossa própria glória, banhados em nossa própria luz. Estamos simplesmente alegres porque estamos vivos, porque somos.

O maior milagre do mundo é que você é e que eu sou. Ser é o maior milagre e a meditação abre as portas desse grande milagre. Mas só o homem que ama a si próprio pode meditar; do contrário você está sempre fugindo de si mesmo, evitando a si mesmo. Quem quer olhar para um rosto feio e quem quer penetrar num ser feio? Quem quer se aprofundar na própria lama, na própria escuridão? Quem vai querer entrar no inferno que pensam que estão? Você quer manter essa coisa toda coberta com lindas flores e você vai querer sempre fugir de si mesmo.

Desse modo as pessoas estão continuamente procurando companhia. Elas não podem ficar consigo mesmas; elas querem estar com os outros. As pessoas estão buscando qualquer tipo de companhia; se elas puderem evitar a companhia de si próprios qualquer coisa servirá. Elas se sentarão numa sala de cinema por três horas vendo alguma coisa totalmente estúpida. Elas irão ler uma novela de detetives por horas, desperdiçando seu tempo. Elas irão ler o mesmo jornal repetidamente apenas para ficarem ocupados. Elas irão jogar baralho e xadrez só para matar o tempo... Como se elas tivessem tempo de sobra!

O amor começa com você mesmo, assim ele pode se espalhar. Ele vai se espalhando a sua própria maneira; você não precisa fazer nada para espalhá-lo.

"Ame a si mesmo...", diz Buda. E então imediatamente ele acrescenta: "... e observe". Isso é meditação, esse é o nome de Buda para a meditação. Mas a primeira condição é amar a si mesmo, e então observe. Se você não amar a si mesmo e começar a observar, você pode se sentir como que cometendo suicídio.

Muitos Budistas se sentem como que cometendo suicídio porque eles não dão atenção à primeira parte do sutra, eles imediatamente saltam para a segunda parte: observe a si mesmo. Na verdade, nunca encontrei um simples comentário sobre o o Dhammapada, esses sutras do Buda, que desse alguma atenção à primeira parte: Ame a si mesmo.

Sócrates diz: Conhece a ti mesmo, Buda diz: Ame a si mesmo. E Buda é muito mais verdadeiro porque a menos que você ame a si próprio você nunca conhecerá a si mesmo – conhecer só vem mais tarde, o amor prepara o terreno. Amar é a possibilidade de conhecer a si mesmo. O amor é a maneira certa de conhecer a si mesmo.

“Ame a si mesmo e observe… hoje, amanhã, sempre”.

Crie energia ao redor de si mesmo. Ame seu corpo e ame sua mente. Ame todo seu mecanismo, todo seu organismo. Por amar significa: aceitar isso como isso é, não tente reprimir. Nós reprimimos somente quando odiamos alguma coisa, reprimimos somente quando somos contra alguma coisa. Não reprima porque se você reprimir como é que você vai observar? Não podemos fitar o inimigo olho no olho; podemos somente olhar nos olhos de nosso amado. Se você não for um amante de si mesmo você não será capaz de olhar nos seus próprios olhos, na sua própria face, na sua própria realidade.

Observar é meditação, o nome de Buda para a meditação. Observe diz Buda. Ele diz: Esteja cônscio, alerta, não fique inconsciente. Não se comporte como que dormindo. Não continue funcionando como uma máquina, como um robô. É assim que as pessoas estão vivendo.

Observe – apenas observe. Buda não diz o que deve ser observado – tudo! Caminhando, observe o seu caminhar. Comendo, observe o seu comer. Tomando banho, observe a água, a água fria caindo sobre você, o toque da água, a frieza, o arrepio que dá na sua espinha – observe tudo, “hoje, amanhã, sempre”.

Finalmente chega o momento quando você pode observar até mesmo seu sono. Esse é o máximo no observar. O corpo vai dormir e ainda fica um observador desperto, olhando silenciosamente o corpo profundamente adormecido. Isso é o máximo da observação. Agora mesmo exatamente o oposto é o caso: seu corpo está desperto, porém você está dormindo. Então você estará desperto e seu corpo estará dormindo. O corpo precisa de descanso, todavia sua consciência não necessita de nenhum sono. Sua consciência é consciência: isso é atenção, essa é sua própria natureza.

Quando você se torna mais alerta você começa a criar asas – então todo o céu lhe pertence. O homem é um encontro da terra com o céu, do corpo e da alma.
   
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