24 de jul de 2012

O Silêncio é Feminino


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O Silêncio não pode ser conquistado, você só pode permitir – se entregando – que Ele conquiste você. O mero fato de que tudo o que conhecemos está fora nos revela que, olhando com carinho, há uma energia fálica direcionada aos objetos, uma energia de conquista.
 
O homem quer sempre conquistar os seus pensamentos, suas emoções, o outro, a natureza. Aqui entenda conquistar por “dominar”. Não é verdade que você gostaria de dominar os seus pensamentos, de modo a reprimir uma parte deles e multiplicar alguns outros? Você gostaria que a vida se moldasse ao seu bel-prazer.
 
Porém, aqui sinalizo carinhosamente: Cuidado! Pois o pensamento de dominar os pensamentos é também um pensamento. E essa ideia de dominar os pensamentos não passa de uma tentativa, porque isso é impossível.
 
O único problema é que a manutenção desse sonho gera ruído, e esse ruído impossibilita que você se dê conta do essencial em você, do Silêncio que você é. Portanto, não queira nada, apenas se entregue e o Silêncio está pronto para te conquistar.
 
Satyaprem



  

23 de jul de 2012

Última Visio


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Última Visio (Augusto dos Anjos -1884/1914)

Quando o homem resgatado da cegueira
Vir Deus num simples grão de argila errante,
Terá nascido nesse mesmo instante
A mineralogia derradeira!

A impérvia escuridão obnubilante
Há de cessar! Em sua glória inteira
Deus resplandecerá dentro da poeira
Como um gasofiláceo de diamante!

Nessa última visão já subterrânea,
Um movimento universal de insânia
Arrancará da insciência o homem precito...

A Verdade virá das pedras mortas
E o homem compreenderá todas as portas
Que ele ainda tem de abrir para o Infinito!



17 de jul de 2012

O Buscador é o Buscado ou Além do Papagaio



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O que te traz aqui?
-         Participante - Uma busca.
O que você está buscando?
-         Participante - Acho que estou buscando conhecer a mim mesma.
O que você entende por conhecer a si mesma?
-        Participante - Tentar entender as minhas ações, a forma como eu reajo, como eu ajo.
Ou seja, Psicologia.
-         Participante - Talvez intuição.
E se você não for uma coisa que age e reage?
-          Participante - Mas eu sou alguém que sente.
Então você sabe quem você é.
-          Participante - Talvez ainda não.
Então talvez você não seja alguém que sente.
-         Participante - Pode ser.
 
Veja bem, se você “já sabe”, não tem como você saber. Ao pensar que já sabe, auto-conhecimento se resume a isso: a velha história de analisar o conteúdo da mente. Ou, mais modernamente, “observar-se”.
Porém, esse “se” ainda não está bem localizado, a mente se dedica a analisá-lo, catalogá-lo, compreendê-lo, experiencia-lo. Mas o que Satsang propõe está completamente fora desse discurso, e ainda não foi bem compreendido. Quando se diz “Conhece-te a ti mesmo”, é radical. Na verdade, é o Conhecimento final.
Sempre que você observa alguma coisa, você não é aquilo que você está observando. No entanto, a mente está totalmente ludibriada a respeito desse auto-conhecimento. O que acontece em geral é que as pessoas estão conhecendo “alguma coisa”. E quando está praticando o auto-conhecimento dessa maneira, você está na dualidade. Está olhando para algo que você pensa ser você ao mesmo tempo em que você também pensa ser aquele que está olhando para o que está sendo observado, ou seja, você é “dois”. Mas nenhuma das duas coisas é você.
Enquanto não houver um esclarecimento a respeito do “si mesmo”, não há nenhum conhecimento que finalize essa questão. Qualquer conhecimento – partindo do ponto errado – não é final, vem sempre acompanhado de mais e mais e mais...
Satsang, no entanto, promove o conhecimento final, o fim do dois. No ambiente de Satsang você não é nem o buscado nem o buscador, você é aquilo que está por trás de todas as coisas. Localizar “isso” é a única maneira de “conhecer a si mesmo”.

Satyaprem

14 de jul de 2012

Aprendendo com o Medo

O palestrante aborda os aspectos psicológicos do medo e suas relações com o pensamento, com o apego e com o desejo. Citando e refletindo sobre ensinamentos teosóficos e de Jiddu Krishnamurti, o palestrante nos trás profundas reflexões sobre como compreender e entender o medo de forma a engrandecer e elevar a vida humana como um todo.

 


 

12 de jul de 2012

O Si-mesmo (Self)

Autor: Frederico Eckschmidt 
  
O complexo do Si-mesmo ou Self (Selbst) corresponde à função mais importante para a Psicologia Analítica. Ele pode ser compreendido basicamente de duas maneiras: uma mitológica, quando assume a forma de um Homem-Deus, e uma psicológica, quando representa a totalidade de nossa personalidade ainda inconsciente.

Quando ocorre ao indivíduo o aumento do conhecimento do 'eu', devido à integração dos fatores de projeções (sombra, animus e anima), inicia o processo de tomar consciência do Si-mesmo.
"Sua assimilação alarga não somente as fronteiras do campo da consciência, como também o significado do eu" (Jung).
Jung o definiu como a totalidade da esfera psíquica que abrange todos os conteúdos do consciente e o inconsciente, o ego e o não-ego, a psique e a matéria. Sua manifestação na consciência é sempre uma imago Dei (imagem de Deus).
Este arquétipo se apresenta em três estruturas principais:

1. A da totalidade impessoal (a Verdade Absoluta, a eternidade, o Tao, o ponto e a circunferência, etc.);
2. A fonte da vida de todos os seres e do Universo (corresponde à libido de Jung e na Índia é conhecido como o Paramâtmâ (Vishnu) presente no coração de todos os seres); e
3. Uma personalidade suprapessoal (o Homem-Deus ou uma personalidade transcendente).
Quando é incorporada ao sentido humano ela se manifesta como "uma imagem arquetípica do potencial mais pleno do homem e a unidade da personalidade como um todo".

É um ideal mitológico que, para ser incorporado, é necessário percorrer um caminho igualmente mitológico até chegar ao símbolo unificador, geralmente na figura de um Salvador cósmico. Um ser perfeito que faça a mediação entre Deus e o homem. Essa representação é estruturada a partir de arquétipos amplificados por emoções e projeções devido à sua energia numinosa, assim transformam-se nas figuras míticas de herói, do sábio, do Buddha (o Iluminado), de Jesus (o Cristo), Caitanya (a manifestação do amor entre Krishna e Râdhâ), Muhammad (Profeta), etc.

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O mito formado em torno dessa imago é geralmente descrito na vida de um ser humano perfeito, que transpôs muitas dificuldades ou passou por provas, decidiu se isolar num lugar distante ou passou por um teste moral do encontro com a sombra (e não cedeu), assimilou a dualidade das sígizias (dos opostos complementares) e dessa forma conheceu o 'verdadeiro Deus' alcançando a 'transcendência'.

Por isso, quando a pessoa adquiriu uma atitude simbólica em relação à vida, incorporando conscientemente o processo natural de formação dos símbolos arquetípicos, não é difícil ela se identificar com esse mitologema.

O Si-mesmo é aquilo que leva o indivíduo a sacrificar-se e até mesmo compele a oferecer o sacrifício. O Si-mesmo é o sacrificante e o indivíduo é a vítima sacrificada. Mas o que se sacrifica é a pretensão egoística e com isso o indivíduo se sacrifica a si mesmo.

O cristão dá sentido aos seus sofrimentos identificando-os com o sofrimento de Cristo (imitatio Cristi) e o hindu na realização de seu dharma, seu dever por ter se manifestado.

Jung comenta que "nós ganhamos a nós mesmos com o auto sacrifício, ganhamos o Si-mesmo, pois só damos o que temos" e com isso o indivíduo se desliga das projeções inconscientes decorrentes da participatión mystique, passando então do estágio de dissolução do inconsciente para o estágio consciente e do estágio em potência para o estágio em ato, tornando-se assim o homem que ele é.

Quando ocorre esse fenômeno, o Si-mesmo funciona como um princípio unificador dos opostos dentro da psique humana, unindo as poderosas forças inconscientes na consciência e tornando o indivíduo um ser único e total.
"Nos sonhos e imagens interiores esse processo de tornar-se homem é representado, de um lado, como a concentração de várias unidades, como a reunião de algo que está disperso e, de outro, como um processo em que algo que sempre existiu vai surgindo pouco a pouco e se tornando cada vez mais claro.
Dessa forma, o Si-mesmo é também a mais importante função de orientação que pode-se contar. Essa função, durante toda nossa vida, nos direciona e prepara para um desenvolvimento da personalidade em direção a uma meta, que é a integração da consciência com o inconsciente coletivo (Individuação) _onde acontece a união máxima com a totalidade na hora de nossa morte.

Esse processo de conscientização, enquanto reunião de partes dispersas é uma operação consciente e voluntária do eu, mas por outro lado é um afloramento espontâneo de algo que já existia em nós mesmos.

Mas, na medida em que a personalidade ainda é potencial, é possível chama-la de transcendente, e na medida em que é inconsciente, não se diferencia dos conteúdos de suas projeções causando na consciência os símbolos cósmicos, como veremos adiante.

Devido à qualidade numinosa deste arquétipo, ele acaba se manifestando no centro de todos os sistemas monoteístas e monistas e, por esta razão, o símbolo da totalidade do Si-mesmo não tem diferença da imagem de Deus ou, para ser mais preciso, ela representa o oposto complementar a imago Dei.
"Podemos agora interpretar o aspecto da imagem divina da quaternidade como um reflexo do Si-mesmo ou, inversamente, o Si-mesmo como uma imago Dei. Ambas as interpretações são psicologicamente verdadeiras, pois o Si-mesmo, pelo fato de só poder ser percebido no plano subjetivo como a singularidade mais íntima possível, precisa de uma totalidade como fundo, sem a qual não poderá, de forma alguma realizar-se como indivíduo absoluto. Para sermos mais exatos: o Si-mesmo deveria ser concebido com o extremo oposto de Deus (Jung).
Os símbolos totalitários do Si-mesmo significam tanto um, como outro aspecto e por isso é um paradoxo, abrangendo todos os opostos possíveis, do maior e do menor, vida e morte, corpo e espírito (psique), unidade x pluralidade, claro x escuro, matéria x alma (anima), céu x terra, fogo x água, etc.

Devido à sua poderosa força integrativa, é representado geralmente como o Uróboro, a serpente que come a própria cauda. É o hierosgamos, as núpcias sagradas (união) de todos os opostos.

A projeção deste complexo no Universo gera um sentimento de sincronicidade com a natureza, pois é reconhecida a semelhança entre o micro e o macrocosmo. No antigo gnosticismo este sentimento foi nomeado como o microcosmo (individuum) em oposição complementar ao macrocosmo (Universo). Isto porque eles compreendiam que dentro do indivíduo estava contido todas as coisas e vice-versa.
Uma representação comum na qual Jung se refere constantemente, é o conceito de âtman no Oriente, que possui uma parte coletiva (Paramâtmâ) e uma parte individual (Jivâtmâ), exatamente como o Si-mesmo.

Segundo a antiga tradição da Jñana-Yoga, este âtman (Si-mesmo) é conhecido como um centro de energia formado pela consciência pura. Segundo Shrî Aurobindo, este centro é chamado o mais alto Purusha [o Desfrutador, ou Vidente].

As traduções aproximadas são Desfrutador ou Vidente, mas também podemos compreendê-lo como o senhor dos sentidos (Ishvara), a fonte do prâna, a força vital da consciência, como a noção libido ou energia psíquica.

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Virat-Rupa / Personificação do Universo
O Purusha é imortal, ele é conhecido como o Vishnu que deita no oceano causal (Virajâ) sobre o corpo de Ananta, a serpente de infinitos capelos que representa a eternidade.

Ele é chamado avatâr (encarnação) da divindade Govinda. Este Vishnu é a Superalma (Paramâtmâ), base do corpo físico universal, e o fato de vir acompanhado com a serpente significa que ele é também a força vital que anima os seres vivos e o Universo. É o Homem cósmico total (virat-rupa) e a Superalma de todos os seres.
Na forma conhecida como virat-rupa (a forma universal representada na imagem ao lado) descrita no Rgveda 10,90: Ele possui "mil cabeças, mil olhos e mil pés. Ele abarca a terra inteira e domina o espaço de dez dedos" (Hillebrandt, Lieder der Rgveda, p. 130), ou seja, abarca as grandezas do maior ao menor.
Psicologicamente, estas representações devem ser entendidas como uma manifestação da dupla natureza do Si-mesmo: o inconsciente coletivo que busca manifestar-se na individualidade consciente como oposição à sua própria totalidade inconsciente.

Para o hinduísmo, portanto, a manifestação do inconsciente se dá através do Purusha desfrutador, que se manifesta na dupla natureza dos opostos.

Por essa dupla natureza paradoxal, o Paramâtmâ e o Jivâtmâ são compreendidos como qualitativamente semelhantes, mas quantitativamente diferentes, uma é onisciente e a outra é consciência concentrada.

Uma é conhecida como o Vidente ou Observador e a outra é o objeto observado. Essa dualidade também pode ser vista como a junção da alma com o corpo.

Para Shrî Aurobindo Âtmâ "é o original e transcendente si-mesmo (self), enquanto a Jivâtmâ é uma mera réplica e é associada ao individual. [...] A Jivâtmâ não é o verdadeiro si-mesmo, pois a verdadeira forma é eterna e livre".

A unificação das duas só ocorre com este sentimento de Homem-Deus, que é a divinização das ações humanas para com a vida. Isso equivale a reconhecer nossa natureza 'espiritual' infinita encarnando no corpo, no 'Verbo'.

É a chamada plenificação do homem que surge do processo de Individuação, onde se atinge, no mais alto grau possível, a unidade da personalidade como um todo.
Dessa forma, como já visto, todos esses símbolos do Si-mesmo acabam apontando ou direcionando as nossas ações diárias para uma meta fisiológica instintiva (arquetípica), que é tomar consciência da totalidade do Si-mesmo, na busca pelo ser humano total, que integrou em si mesmo o Universo ou o que chamamos de Deus.
Como imagem do instinto, já vimos que o arquétipo do Si-mesmo vem representado em figuras como Jesus, Buddha, Krishna, etc. É o 'alvo espiritual' para o qual tende toda a natureza do homem.

Porém, não é fácil usar a palavra "espiritual" sem que ela venha carregada de preconceito, mas usar o termo inconsciente coletivo não o representa corretamente, pois lhe falta o caráter primitivo e numinoso.

Digo isso porque essa absorção máxima com a totalidade ocorre em dois momentos importantes: a mais comum ocorre no momento da morte. Mas se esta experiência acaba acontecendo em vida, ocorre uma espécie de renascimento psíquico, que é representada como uma "absorção" da consciência no inconsciente coletivo ou neste chamado "mundo espiritual".

Portanto, os símbolos e mitos que se manifestam na consciência possuem a função de orientar o indivíduo para este momento de 'imersão na totalidade' e que vai, gradualmente, se desenvolvendo na consciência. Por isso a consciência traz consigo uma espécie de "responsabilidade", pois é aí que entra o dogma.

Este dogma (dharma) nos prepara para que, no momento da morte, não deixemos coisas para trás ou por terminar. É esta espécie de responsabilidade que se apresenta para alguns cobrando um preço pelas ações feitas durante a vida com base em uma espécie de "código de conduta".

Se por acaso a pessoa seguiu este código, e chegou ao final de sua vida com um sentimento de 'tudo terminado', então essa pessoa aproximou-se da meta da Individuação. Caso contrário, não.
Jung comenta a esse respeito:
"O grau de consciência atingido, qualquer que seja ele, constitui, ao que me parece, o limite superior ao qual os mortos podem acender. Daí a grande significação da vida terrestre e o valor considerável daquilo que o homem leva daqui 'para o outro lado' no momento da sua morte. É somente aqui na vida terrestre que se chocam os contrários, que o nível da consciência pode elevar-se. Essa parece ser a tarefa metafísica do homem _mas sem mitologein ['mitologizar'] apenas pode cumpri-la parcialmente.
No mantra dez do Shrî Isopanisad está dito: "os sábios explicaram que o cultivo de conhecimento dá um resultado, e o cultivo da ignorância da outro resultado diferente".

Quem buscou o conhecimento da dualidade, conseguindo passar pelos testes morais da vida sem deixar-se sucumbir à sombra, relata um sentimento de alívio por ter cumprindo seu dever para com o dogma vigente em sua cultura, encontrando seu próprio mito e alcançando o "reino de Deus".

Caso contrário, parece que este momento não é tão bom assim e causa muito medo. É chamado na mitologia como o Dia do Juízo Final cristão ou no tribunal de Yamaraja dos hindus. É o tribunal de Osíris do antigo Egito, onde o coração do morto era pesado, e, se fosse mais pesado que a pena de Maat (Justiça), sua alma seria devorada e ele deixaria de existir para sempre (imagem abaixo).

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O Dia do Juízo Final

 Fonte: http://www.psicoanalitica.com.br


 
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