29 de mar de 2013

As Doze Tribos de Israel


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88 - Disse Jesus: os anjos e os profetas virão a vós e vos darão o que é vosso. E vós, da mesma forma, devereis dar-lhes o que está em vossas mãos e dizei convosco próprios: em que dia virão eles para receber o que lhes pertence?

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O homem que atingiu certo grau de intro-vivência ou cosmo-vivência vê em tudo arautos e intérpretes da Divindade: nas pedras e nas flores, nas águas e nos peixes, nos insetos e nas aves, nos animais e nos homens. Para ele, nada é morto nem mudo; tudo lhe é vivo e revelador. E esses mensageiros e porta-vozes de Deus despertam no homem conscientemente o que nele está dormindo inconscientemente, porque o recebido é dado ao recipiente de acordo com a sua recipiência. Quem tem 10 graus de recipiência receberá do Infinito 10 de experiência; quem tem 50 graus de recipiência receberá 50 de experiência. Ninguém pode receber mais explicitamente do que ele tem implicitamente. A atualização é proporcional à potencialidade. E toda a potencialidade aumenta progressivamente na razão direta da sua atualização. Tanto mais alguém receberá quanto mais ele está disposto a dar. Não-dar obstrui os canais do poder-receber. A datividade é a medida da receptividade.

Por isto, quanto mais liberalmente o homem dá tanto mais abundantemente ele receberá, não dos outros, mas do Doador Infinito.

O modo mais seguro para empobrecer é querer receber sem dar.
O Doador Infinito é de infinita plenitude – os recebedores finitos são de indefinida vacuidade.


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28 de mar de 2013

Religação com Deus

 
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87 -  Disse Jesus: maldito o corpo que depende de um corpo e maldita a alma que depende desses dois.

O corpo do filho depende dos corpos dos pais – e isto é vida perecível; pelos sexos só se engendra uma continuação de corpos mortais, e isto é miséria.

Pelo altruísmo alarga o homem o seu egoísmo próprio para um egoísmo alheio – e isto também é miséria.
Nem pelo egoísmo individual, nem pelo altruísmo social alcança o homem a sua auto-realização, razão-de-ser da sua existência terrestre.

Muitos pensam e proclamam que o homem se salva e aperfeiçoa pela caridade, entendendo por caridade a filantropia e beneficência material, o enchimento de muitos estômagos vazios e o revestimento de corpos nus. Esse altruísmo lhes parece contrário do egoísmo, quando na realidade é apenas um alargamento do egoísmo individual em forma de um egoísmo social. Pois, que fazem esses benfeitores? Fazem bem a muitos egos, em vez de beneficiar um único ego, como faz o egoísta comum. O altruísmo é um “remendo novo em roupa velha”.

O que redime e liberta o homem não é egoísmo nem altruísmo, mas é uma atitude que ultrapassa esses dois.
Quando o homem descobre algo para além do seu ego próprio e para além dos egos alheios, então descobre ele a “verdade libertadora” do seu Eu divino e começa a realizar em si a centelha divina da sua alma, ultrapassando egoísmo e altruísmo.

Verdade é que essa realização da alma pode ser feita através de altruísmo, caridade, filantropia, por serem renúncia ao próprio ego; mas, neste caso, a beneficência material deixou de ser um fim, passando a ser apenas um meio para o fim supremo e único da auto-realização. Quem vive por amor ao seu ego é um egoísta. Quem vive por amor aos egos alheios é um altruísta. Mas nem este nem aquele tem amor ao seu Eu divino, ao seu Cristo, o seu Deus imanente, única razão-de-ser da sua encarnação terrestre.

Ninguém pode realizar o Eu do outro. Cada um só pode realizar o seu Eu próprio. Mas quem realiza o seu Eu próprio e assim se faz bom faz bem aos outros e lhes facilita o caminho para a sua própria auto-realização. Quem atinge a plenitude do ser-bom faz transbordar essa plenitude em benefício dos outros. O único modo de fazer bem aos outros é ser bom em si mesmo. 




 

Sonhos


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86 - Disse Jesus: (As raposas) (têm) suas (tocas) e os pássaros têm (seus) ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde recostar a cabeça e descansar.
 
Estas conhecidas palavras de Jesus, citadas também por outros evangelistas, não são uma queixa, mas uma apoteose. Jesus não se queixa da sua simplicidade, pois ela era totalmente voluntária. Mostra que o homem, quando atinge a culminância da sua consciência cósmica, não está mais interessado em conforto e comodidade material, mas se contenta com o mínimo do conforto, como os seres da natureza extra-humana, que nada sabem de pobreza nem de riqueza. O homem espiritualmente rico não deseja riqueza material; tem o conforto necessário, sem desejar confortismos nem confortite, coisas incompatíveis com a riqueza espiritual.

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"O que era chamado força agora é chamado luxúria. Como uma chama que nenhum homem pode apagar, ela é em nós esse fogo faminto de luxúria, uma meretriz bêbada segurando um reino de conquistas que força nenhuma pode deter.  Insaciável a concubina cavalga, inflamada pelo fogo da vitória." A. M.

 

27 de mar de 2013

Pecado Original


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85 - Disse Jesus: Adão nasceu de um grande poder e de uma grande riqueza. Mas não era digno deles. Se deles fosse digno, não teria morrido.

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Serpente do Edem (DNA)
O primeiro ser humano era uma emanação individual da Divindade universal. Mas era ainda um espírito neutro e amorfo, uma creatura potencialmente creadora, que devia evolver para uma creatura atualmente creadora. Por isto foi o espírito do primeiro homem mandado para se encarnar num invólucro material para que o espírito encontrasse resistência na matéria, e por essa resistência atualizasse a sua potencialidade creadora. O homem, porém, em vez de superar a matéria, foi superado pela matéria.

Contudo, não se deve considerar esse aparente fracasso como uma derrota definitiva, e sim como um meio para uma evolução ainda maior, como uma felix culpa, como um peccatum necessarium, como canta o hino pascal. Deus permitiu que o espírito fosse derrotado pela matéria, para que nele despertassem plenamente as forças creadoras latentes e o homem se tornasse semelhante a Deus, que o homem se creasse maior do que Deus o havia creado. O homem morreu pelo seu ego triunfante, para que o seu Eu derrotado atingisse o zênite da sua vitória.

É esta a culpa feliz, é este o pecado necessário do homem.

 
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Ameba
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Pré-Câmbrico
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Concretização/Densificação/Queda da Forma/Imagem (EGO)


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26 de mar de 2013

Vaidade


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84 - Disse Jesus: quando vedes vossa aparência, vós vos rejubilais. Mas quando virdes vossa imagem, aquela que existe antes de vós, a que não morre e nem se manifesta, quanto podereis suportar?

Quando o homem enxerga a sua alma como imagem e semelhança de Deus, será grande a sua felicidade.

 Mas, se ele tiver a intuição direta do próprio protótipo de que sua alma é um reflexo secundário, suportará ele tamanha felicidade? Paulo, num momento de arroubo místico, escreveu: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou àqueles que o amam”.

Todas as alegrias e delícias terrestres, todo o amor humano, de esposo e esposa, de pais e filhos, de amigos, não passa de vago reflexo e longínqua reminiscência daquela felicidade que a alma saboreia quando ela se integra totalmente no espírito divino do qual emanou.

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A figura de Baphomet numa Pedra angular no Convento de Cristo, Tomar

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O Unus Mundus - a união do Micro e do Macrocosmos


Autor: Frederico Eckschmidt (1)

O conceito de Unus Mundus, surgido na Idade Média, é uma variação histórica do conceito moderno do inconsciente coletivo. Concretamente falando, o unus mundus se manifesta nos fenômenos sincronísticos. É no momento que cessa a dualidade entre os eventos 'externos' e 'internos', ou seja, quando ocorre ao indivíduo a experiência de uma "multiplicidade unificada", que é produzida uma união com o inconsciente coletivo.

Como vimos anteriormente, atingir esse ponto em que a realidade externa e a realidade interna (a terra e o céu) se tornam uma só é a meta do processo de Individuação. Esse estado causa uma expansão significativa à consciência individual, juntamente com uma diminuição da intensidade do complexo do ego. Quando isso acontece, o ego retira-se em favor do inconsciente coletivo e a sabedoria deste passa a fluir através da pessoa.

Como comenta Marie-Louise von Franz: "no ponto final do desenvolvimento (o estágio final do processo de Individuação), os mestres zen estão em tal harmonia com o inconsciente coletivo que se comunicam entre si subliminarmente; eles, por assim dizer, estão juntos no unus mundus". Para ela: "este é um estágio do desenvolvimento que o homem atinge quando se aproxima da morte".

Como Jung costumava afirmar:

"A sincronicidade possui certas qualidades que podem ajudar-nos a esclarecer o problema corpo-alma. É sobretudo o fato da ordem sem causa, ou melhor, do ordenamento significativo que poderia lançar alguma luz sobre o paralelismo psicofísico. O 'conhecimento absoluto', que é característico dos fenômenos sincrônicos, conhecimento não transmitido através dos órgãos do sentido, serve de base à hipótese do significado subsistente em si mesmo, ou exprime sua existência. Esta forma só pode ser transcendental porque, como no-lo mostra o conhecimento de acontecimentos futuros ou espacialmente distantes, se situa em um espaço psiquicamente relativo e num tempo correspondente, isto é, em um contínuo espaço-tempo irrepresentável".

O conceito de "conhecimento absoluto" não está associado a nenhum processo cerebral e explica porque as coisas tendem a coincidir num mesmo momento. Jung relacionou esta forma 'ordem arquetípica' e sincrônica com o antigo conceito de Tao:

"Segundo a concepção chinesa, há uma 'racionalidade' latente em todas as coisas [grifo meu]. Essa é a idéia fundamental que se acha na base da coincidência significativa [sincronicidade], que se torna possível porque os dois lados possuem o mesmo sentido. Onde o sentido prevalece, aí resulta a ordem [grifo meu]:

"O sentido [Tao] é a simplicidade suprema sem nome.
[...] O Tao não opera,
E, no entanto, todas as coisas são feitas por ele.
Ele é impassível,
E, no entanto, sabe planejar.

Esta racionalidade latente corresponde ao que Jung chamava de unus mundus. Essa experiência de realidade unitária, de acordo com o gnóstico Komários, "é a experiência transcendental de totalidade que ocorre no mistério de ressurreição após a morte".

Posteriormente, o alquimista Gerard Dorn identificou essa "idéia de unus mundus" da Idade Média com o lapis e com o objetivo último da coniunctio alquímica.

Von Franz também conta que, um pouco antes do fim de sua vida, Jung ainda estava planejando fazer uma obra sobre os aspectos arquetípicos dos números tentando estabelecer uma relação entre eles e seu conceito de unus mundus.

Para ele, a mais primitiva manifestação da mente são os números. Isso é facilmente verificável nas grandes mitologias da China, indo até os astecas e antigos babilônios, todos os deuses tem também tempo-números. Todos os deuses estão representados em um dia do calendário. Isso estabelece uma relação entre os números e as representações arquetípicas.

A mente possui a capacidade de produzir espontaneamente movimento e atividade que inclui também faculdades inerentes de geração livre de imagens simbólicas que vão além do senso de percepção. No entanto, ela é determinada por fatores arquetípicos apriorísticos que ordena ativa e dinamicamente essas imagens, agindo sobre a psique inconsciente.

Por isso surge um problema na conscientização de uma imagem totalitária, pois ela não se encaixa nos próprios padrões criados pela consciência para percebê-lo _e por isso seu aspecto transcendente. Mas os números possuem algumas qualidades importantes que podem auxiliar neste processo, já os quatro aspectos básicos dos naturais inteiros são: "(a) relação com o espaço-tempo e a possibilidade de geometrização, (b) quantidade, (c) razão posicional, e (d) qualidade, isto é, uma específica relação gestáltica retrógrada com o um-continuum".

Dessa forma, eles apresentam uma estrutura dinâmica ou, mais precisamente, uma configuração rítmica da energia que aparece isomorficamente ligada aos domínios psíquicos e da realidade física.

A palavra grega arithmos é etimologicamente relacionada a rhythmos e ambas são derivadas de rhein, que significa fluir. Como comenta von Franz:

"Interessantemente, toda vez que números são usados como instrumentos de adivinhação, eles não possuem aquele aspecto quantitativo (uma multiplicidade de unidades) que é sua maior característica na teoria Ocidental de número, mas eles possuem um aspecto de campo que _preferivelmente, elas aparecem como_ um continuum. Eles aparecem como "pontos excitados" de um campo. Em outras palavras, é possível conceber os números naturais especificamente como centros virtuais distribuídos em um campo numérico contínuo. Isto tornaria possível a construção de um isomorfismo da microestrutura da matéria e da estrutura do inconsciente coletivo. De fato, posteriormente foi descoberto que as chamadas partículas elementares são ainda divisíveis. Por isso [...] que, fundamentalmente, só existe algo como uma flutuação contínua de um campo eletromagnético, e as partículas são [...] como pontos excitados em um-continuum.

Segundo Jung, o inconsciente coletivo também se comporta como um campo onde os 'pontos excitados' correspondem aos arquétipos. Assim, é possível estabelecer uma relação isomórfica entre o "campo" do inconsciente coletivo e os campos de números naturais.

Como possui essas características, é possível dizer que os números fariam a correspondência entre a Física e a Psicologia, já que possuem uma quantidade e uma manifestação ativa qualitativa específica do um-continuum, isto é, o unus mundus.

Idéia semelhante também apareceu na antiga escola grega de Pitágoras, onde os números representavam a ponte entre a razão humana e a razão divina, sendo eles uma linguagem de codificação dos mundos externo e interno do indivíduo.

Assim, a conhecida progressão da série de números naturais é, provavelmente, uma seqüência de típicos procedimentos que criam, dessa forma, um ritmo ordenado. Inclusive, nosso conhecimento sobre o tempo é baseado nessas estruturas numericamente rítmicas da Natureza.

Como von Franz afirma, esse movimento rítmico dos números estabelece padrões comuns à energia psicofísica, é natural que essa progressão esteja na base da idéia de tempo e, no campo da natureza, na base de uma ordem temporal e causal.

São Tomás de Aquino, seguindo as idéias de Aristóteles, definiu o tempo como numerous movens (números em movimento). A mesma estrutura arquetípica está relacionada com as personificações míticas do tempo _como Aion em Roma, Zurvân na Pérsia e Kâla na Índia_ e são enfáticos comportamentos da polivalente energia psíquica. Para von Franz:

"O 'campo' do inconsciente coletivo, concebido como isomórfico aos campos dos números naturais, é, entretanto, não randrômico ou caoticamente/parcialmente organizado, mas mostra ser ordenado por um centro altamente energético, que Jung chamava de arquétipo do Si-mesmo. Quando representado estaticamente (como uma mandala), ele demonstra exibir estruturas quaternárias; entretanto, visto mais de perto, ele é muito semelhante com a explicação de Jung em seu livro Aion, uma estrutura seqüencial com as seguintes características:


"Por sua vez, ele é conectado com uma estrutura similar encontrada no I Ching, na geomancia, e também, último mas não menos importante, no código DNA e RNA. Essa estrutura que está presente nas mais profundas manifestações do Si-mesmo, representa um ritmo fundamental da vida, como intuído pelos chineses. Como uma dança rítmica, esta estrutura trinitária e quaternária estão contidas em quase todos os modelos feitos sobre o unus mundus e, em especial, nos modelos mandálicos de adivinhação".


Foi em seu livro "Time and Number" que Marie-Louise von Franz acabou relacionando a estrutura em dupla hélice do DNA (imagem acima) com o sistema numérico do I Ching, deduzindo que seu modelo representa uma analogia biológica da idéia arquetípica do tempo como uma espiral. Como comentado anteriormente, a tetrametria proposta por Jung acaba representando a estrutura básica da vida física e psíquica.

E também, como disse também Abdus Salam sobre o estudo do dr. S. Mason, entender a 'tendenciosidade' da natureza em produzir "aminoácidos esquerdos e açúcares destros" é de importância vital.

Portanto, voltando às considerações sobre o sonho do Relógio do Mundo, Jung comenta sobre o sentimento de "profunda harmonia" que se seguiu a esse sonho:

Não podemos compreender o porquê dessa impressão, a não ser que arrisquemos a seguinte hipótese: os elementos disparatados e incongruentes se combinaram de um modo feliz, produzindo simultaneamente uma configuração que concretiza em alto grau as intenções do inconsciente. Devemos supor portanto que a imagem é uma expressão particularmente bem sucedida da realidade psíquica que de outro modo seria irreconhecível e que até então só se manifestara através de aspectos aparentemente desconexos.

A idéia que aparece neste sonho é a intersecção de dois sistemas heterogêneos, unidos por um centro comum. Como este é um símbolo do Si-mesmo, essa configuração indica "que ocorre no Si-mesmo a intersecção de dois sistemas heterogêneos, funcionalmente relacionados entre si, regidos por leis e regulados por 'três ritmos'".

Essa idéia da intersecção dos tempos conscientes e inconscientes, será melhor tratada no capítulo seguinte, mas esta configuração cósmica do relógio leva a supor "que se trata de uma redução ou talvez da origem do espaço-tempo, mas de qualquer modo, de sua essência. Em termos matemáticos seu caráter seria quadridimensional e apenas visualizado numa projeção tridimensional".

Neste momento aconteceu a renovatio ou transmutatio, quando inconscientemente Pauli participou de um antigo mistério representado nos antigos mitos de transformação (a Alquimia entre eles) onde um ser perdido de si mesmo se transforma em quem ele de fato é, integrando sua totalidade em um corpo único conectado ao continuum quadridimensional.

http://www.psicoanalitica.com.br/unus_mundus.htm

  + Individuação

 

25 de mar de 2013

As Duas Verdades


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83 – Disse Jesus: As imagens se manifestam ao homem, e a luz que está oculta nelas – na imagem da luz do Pai – ela se revelará e sua imagem será oculta pela luz.

Este jogo entre a fonte da luz e seu reflexo na imagem vai por todos os livros sacros do oriente e do ocidente. Assim como a luz do sol se manifesta num espelho ou numa gota de orvalho, assim se manifesta o Creador em todas as creaturas.

http://five30liveservice.files.wordpress.com/2012/10/human-dna.jpgA filosofia oriental diz que Maya (a natureza) revela Brahman, e também o vela, do mesmo modo que a teia revela a aranha e também a vela ou encobre. De fato, toda a natureza manifesta Deus, como o efeito manifesta a causa, mas a natureza também encobre Deus, porque um efeito finito nunca pode manifestar adequadamente uma causa Infinita. Certos teólogos tentam provar a existência de Deus pelas obras da natureza, recorrendo à comparação entre o artefato e o artífice, entre o relógio e o relojoeiro. Este argumento é fundamentalmente falso e ilusório. O artefato ou relógio finito revela somente uma causa finita, como o artífice ou o relojoeiro. Deus, porém, não é uma causa finita. A não ser que se considere Deus como pessoa. A natureza toda, a creação em toda a sua grandeza e amplitude não pode jamais provar a existência de uma causa Infinita. Um Deus-pessoa é necessariamente um Deus finito, um Deus finito é um pseudo-Deus, e não um Deus real. Do mundo dos fatos, escreve Einstein, não conduz nenhum caminho para o mundo dos valores; porque estes vêm de outra região.

Do mundo das facticidades finitas não conduz nenhum caminho para o mundo da Realidade Infinita. A natureza é apenas um predisponente preliminar para algo que não vem da natureza. As circunstâncias externas podem predispor o homem e crear ambiente propício para que ele encontre Deus em sua substância interna. Somente pela intuição espiritual da sua própria substância pode o homem ver Deus, e não pela análise intelectual das circunstâncias externa.

“Quando o discípulo está pronto, então o Mestre aparece” – quando o homem removeu de dentro de si todos os obstáculos, então Deus se revela ao homem. Não é o homem que descobre Deus, é Deus que descobre o homem, quando o homem se torna receptivo para essa revelação.

A luz do Pai se revela na imagem, quando a imagem está pronta para refletir essa luz.

Embora não se possa provar um Deus Infinito pela natureza finita, contudo o místico intuitivo tem plena certeza de Deus, não por tê-lo provado, mas porque Deus se revelou a ele. Quem não tem revelação de Deus não tem certeza de Deus. Da crença há um regresso para a descrença. Mas da experiência de Deus não há regresso para a inexperiência. O homem intuitivo a quem Deus se revelou tem de Deus certeza absoluta e irrevogável. A luz de Deus transcende todas as imagens de Deus.




23 de mar de 2013

Meu Reino Não é Deste Mundo




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82 – Quem está perto de mim está perto da chama; quem está longe de mim está longe do Reino.


Repetidas vezes comparam os livros sacros Deus e Cristo com o fogo. O Cristo veio para lançar fogo à terra e anseia por que arda. O homem crístico é mergulhado no fogo do espírito santo. Deus é um fogo devorador.

Paralelamente à alegoria do fogo corre a da luz. Deus é luz. O Cristo é a luz do mundo. O homem é luz.
Não há nada tão mortífero como o fogo – e não há nada tão vivificante como a luz.
Se Deus ou o Cristo são fogo, eles são destruidores; se eles são luz, são construtores.
E de fato assim é.

Deus é um fogo devorador para o ego ilusório do homem; Deus é uma luz vitalizante para o Eu real do homem. Ninguém pode ver a Deus e continuar a viver no seu ego como antes.

Quando alguém tem a consciência da presença do Cristo, sente-se incendiado pelo fogo e iluminado pela luz. O Cristo o incendeia – o Cristo o lucifica. O homem cristificado é inevitavelmente um homem dinâmico. Nada quer para si – tudo quer para Deus e os homens.

Quem proclamou em si o Reino de Deus anseia por ampliá-lo pelo mundo inteiro. O fogo destrói toda a ilusão – a luz constrói toda a verdade.


O Cristo Místico
Muitas pessoas têm duvidas da existência histórica de Cristo. Deixemo-las em suas divagações, pois não temos tempo a tratar de demonstrar a existência do Sol.

A narrativa da descida do Verbo ao seio da matéria é tão perfeita, tão verdadeira quanto a descida do Eu Sou ao Meu Corpo.

Jesus identificou-se com o Cristo, “O Verbo por quem todas as coisas foram feitas”. Para as igrejas, esse fato divino tornou-se em data histórica de quem consideram a divindade encarnada (o Cristo Místico). Assim como o Cristo dos Mistérios, O Logos, a Segunda Pessoas da Trindade, é o Macrocosmos, assim também o Microcosmos encerra e representa o segundo aspecto do Espírito Divino, chamado, por isso, Cristo.

O segundo aspecto do Cristo dos Mistérios é, portanto, a vida do Iniciado, a vida do Segundo Nascimento no Reino Interno. Durante esta Iniciação Interna, o Cristo nasce no homem e, mais tarde, exalta-se, para tornar mais intelectual ao Iniciado a natureza do Espírito nele.

Somente por meio do Amor pode o homem aspirar à Iniciação. Pelo amor verdadeiro o homem pode tornar-se “puro, santo, sem mancha e viver sem transgressão”, chegando assim a ser Iniciado, a SER Cristo CONSCIENTEMENTE. Esse é o caminho das provas que levam à “Porta Estreita”, ao “Caminho da Santidade” e, pois, ao”Gólgota com a Cruz às Costas”.

O Cristo-Sol no homem é o Fogo Divino da Alma, que se deve “converter em Luz”; “O nosso Deus é Fogo”, disse Moisés. É o Menino que nasce como o homem no presépio, na casa de carne (Belém), o corpo físico.

O candidato deve desenvolver estas qualidades de maneira perfeita, antes que o Cristo possa nascer nele. Deve preparar a morada para esse Menino Divino que vai crescer dentro dele. Os preceitos necessários para desenvolver essas qualidades estão perfeitamente traçados no Sermão da Montanha, e nada mais temos a dizer sobre esse particular.

O maior Mistério do Cristianismo está encerrado nos 14 versículos do primeiro capítulo do Evangelho de São João:

1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2. Ele estava no princípio com Deus.
3. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.
4. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;
5. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
6. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
7. Este veio para testemunho para que testificasse da luz; para que todos cressem por ele.
8. Não era a luz; mas para que testificasse da luz,
9. Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo.
10 . Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu.
11. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12. Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos Filhos de Deus; aos que crêem no seu nome;
13. Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.
14. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Todas as religiões, antigas e modernas, colocaram e colocam sobre altares a imagem de um homem ou de uma mulher para simbolizar o poder Divino e o Adorá-lo. A Arca de Noé, a Terra Prometida, o Presépio de Belém, o Santo Sepulcro, o Tabernáculo, Jerusalém, o Templo de Salomão etc. não são mais do que o mesmíssimo corpo humano onde arde o Fogo Crístico.

O homem é um sistema universal composto de astros, planetas, sóis, luas, cometas, vias-lácteas e constelações. Deve seguir as mesmas LEIS DO SISTEMA MAIOR. Quanto mais perfeito é o homem, tanto maior cumprimento dá a essas leis, como o fez Jesus Cristo. Nós também “devemos chegar, algum dia, à estatura do Cristo”.

Há uma só religião com muitas instituições religiosas, assim como há uma única humanidade com muitas raças e costumes. O Grande Arcano das religiões, como o temos visto, está no poder do Fogo Crístico e da Luz Inefável. O Sol, sempre o Sol, era adorado como o Grande Fogo que ardia no meio do Universo, ao passo que o Fogo Divino está mais além do Sol físico. Por esse Fogo Divino Interno, que foi adorado no princípio, o homem nos deixou um símbolo no archote, na espada flamígera e na coroa de ouro cujas pontas se assemelhavam aos raios solares.

Todos os Homens Deuses tinham nomes que significavam Fogo-Luz: Júpiter, Apolo, Hermes, Mitra, Baco, Odin, Buda, Krishna, Zoroastro, Fo-Hi, Agni, Hiram Abiff, Sansão, Josué, Vulcano, Alá, Bel, Baal, Serápis, Salomão, Jeshua (Jesus) e muitas outras divindades cujos nomes significam manifestações de Luz.

A fábula de Prometeu é um véu da Verdade: a alma humana, ao possuir o fogo divino da humanidade, empregou-o para a destruição. Foi encadeada à rocha (o corpo) e devorada pelo abutre (dos desejos) até que um homem conseguisse dominar o fogo e se tornasse perfeito. Essa profecia foi cumprida por Hércules (o Cristo), que (nascendo como Luz no mesmo fogo da alma) libertou a que, havia tantos anos, estava submetida ao tormento (nascendo no seu coração pelo segundo nascimento ou Iniciação).

A luz que brilha no sistema nervoso é o mediador entre o Deus Íntimo e o homem externo. É a ponte que une o Espírito à Matéria. Por causa dessa Luz o Filho do Homem é chamado Filho de Deus. Os filhos da Luz conseguiram ver o Sol Interno Invisível. As antigas religiões buscavam a maneira de captar o fogo cósmico que circulava no éter; por isso, valiam-se os sacerdotes de plantas, de animais e de metais com propriedades absorventes dessa Luz Invisível.

O cristianismo emprega o fogo em seus ritos com o incenso para simbolizar que, assim como o fogo queima o incenso e este se converte em fumo perfumador, assim também o Fogo Divino, no homem, consome tudo quanto há de grosseiro da alma, para convertê-la em fragrante perfume. Os campanários, as torres, os obeliscos e as pirâmides são símbolos nativos do Fogo.

O ouro dos templos tem a cor da luz solar. Os círios acesos nos altares representam o Fogo Divino. A pequena lâmpada vermelha alimentada com azeite, que ilumina o altar, é o mais importante; é o símbolo de IEVE, Adão-Eva, O Senhor Construtor das Formas.

O azeite é o símbolo do sangue: este mantém a chama sagrada do homem, assim como o outro sustenta as chamas físicas.

O sangue é o veículo da chispa divina. Esta chispa move-se com a corrente sanguínea e não se encontra em qualquer ponto particular do organismo. A vibração desta chispa pode ser dirigida e localizada em qualquer parte do corpo, por meio da vontade concentrada. O sangue incendeia-se nas veias e manifesta o Fogo Divino Interno.

O Iniciado participa do Divino Poder Solar. Transfigura-se. Esse poder manifesta-se em forma de auréola de luz ao redor de sua cabeça, porque o Fogo do Espírito Santo no Sacro se converte em luz no cérebro, e o Iiniciado se converte em Onisciente sem necessidade do intelecto. Essa auréola de luz, com o tempo, converte-se em diadema para o rei, mitra para o bispo, disco de luz para a cabeça dos santos.

O Fogo Criador, ao subir pela espinha dorsal e, finalmente, chegar ao terceiro ventrículo do cérebro, toma uma formosíssima cor dourada, irradia-a em todas as direções, formando uma coroa sobre o osso occipital, em forma de leque. Essa luz significa a regeneração do homem que alcançou a “estatura de Cristo”. Ela muda de cor conforme o pensamento: a pureza converte-se em branca; a espiritualidade, em azul; o saber, em amarelo; o amor, em cor-de-rosa etc. Temos hoje muitos meios de demonstrar esses fenômenos e muitos homens de ciência estão ocupados no estudo da aura humana.

Temos já dito que o homem deve ter dois nascimentos: um físico e um espiritual. Tem de ser homem e Cristo ao mesmo tempo. Vamos agora tratar de decifrar o Mistério do Cristo no homem físico assim como deciframos o significado do Cristo Solar.

O grânulo de vida está depositado no útero materno, porta da vida, durante nove meses; após esse tempo, nasce, e a Alma Cristo permanece no casebre do coração, no corpo (casa de carne). O Menino-Cristo no homem está rodeado de animais: a ignorância do burro, a debilidade do cordeiro e a brutalidade do touro. O rei das trevas, no corpo, com a ambição e o orgulho, quer matar o novo Rei nascente, para livrar-se do remorso e ter ampla liberdade de seguir os desejos da carne.

O neófito é atacado pelo fantasma do umbral no segundo nascimento e é perseguido por todas as hostes do inferno (mundo inferior). Foge, então, para o Egito, isto é, refugia-se no mundo interno, abandonando as tentações do corpo e suas paixões, a fim de crescer espiritualmente e voltar, depois, ao cumprimento de sua missão na vida. Assim como o Sol percorre aparentemente os 12 signos zodiacais, também o Espírito Crístico tem de percorrer todas as dependências do seu sistema no corpo, que é a miniatura do Universo.
A cabeça é o Oriente do homem, de onde sai o Sol-Cristo. O Iniciado deve dirigir sempre os seus pensamentos e suas práticas para o cérebro, onde tem a raiz de sua trindade. A porta para o Oriente é o coração, por onde deve entrar o neófito.

Por essta porta o neófito ou recém-nascido é conduzido para as piras do batismo (que se acham no fígado, órgão que forma, por suas emoções e desejos, o corpo astral ou de desejo); ali ele é batizado e submetido à Prova da Água, que significa o domínio do desejo. O recém-nascido jura ante o altar no coração, onde brilham um Sol e seis luminares. (O Sol foi depois representado pela custódia, símbolo do Sol resplandecente, ou símbolo do Fogo Divino; os seus centros magnéticos ou planetas são simbolizados pelos seis círios.)

O Cresthos (em grego significa “Bom”) é uma qualidade que deve ser adquirida antes de poder se tornar um Cristo, um Ungido. Após haver chegado a viver uma vida virtuosamente exotérica, poder-se-á começar a viagem ou o caminho para a Iniciação, a Senda da Provação – a senda que conduz à porta estreita – o caminho da Santidade, o caminho da Cruz. O aspirante deve adquirir as sete virtudes para sentir o ardor pela felicidade de ver Deus e de unir-se a Ele (Mateus 5: 8: Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus).

O Espírito que mora no corpo é um fragmento invisível de Deus. É trino, por ser Deus. É Poder, Amor e Saber. O Pai é o Poder; o Filho é o Amor e o Espírito Santo é o Saber. A Iniciação consiste em dar completa liberdade ao Íntimo para que obre por meio dos seus três atributos. O Cristo Místico, pois, é o Ser Interno do homem e, por conseguinte, é Duplo.

É o Logos, Verbo ou Segunda Pessoa da Trindade, que desce à Matéria. Em seguida, o Amor, segundo aspecto do Espírito Divino, faz evoluir o homem. Um representa os processos cósmicos no Mito Solar, o outro representa o processo que se passa no indivíduo. Ambas as fases, a Solar e a Individual, encontram-se na narrativa dos Evangelhos; sua união nos apresenta uma imagem do Cristo Místico.
O Cristo Cósmico, a divindade que se envolve com a Matéria, é a encarnação do Logos ou Deus feito carne. Esta Matéria-Mãe recebe da Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo, a vida que a anima e lhe permite tomar forma.

A Matéria condensada é modelada em seguida pelo Filho, o Segundo Logos, que se sacrifica encerrando-se ou crucificando-se, a fim de tornar ao “Homem Celeste”.

Do seu corpo fazem parte todas as formas. Tal é o processo cósmico dramaticamente representado nos Mistérios.

“O Espírito de Deus pairava sobre as Águas. E as trevas estavam sobre a fece do Abismo”, disse o Gênese.
Logo, lhe foi dada a Forma pelo Logos: “Todas as coisas foram feitas por Ele e nada foi feito sem Ele”, disse São João no seu Evangelho.

Uma vez terminado o trabalho do Espírito, o Cristo Cósmico e Místico pode revestir-se de Matéria, entrando no seio da Virgem Matéria. Esta Matéria foi vivificada pelo Espírito Santo a fim de receber o Segundo Logos e, assim, o Cristo se encarna e se faz carne; a vida e a matéria O envolvem com uma vestimenta dupla.

É a descida do Logos na Matéria, descrita com o nascimento do Cristo por uma Virgem. Isso se torna Mito Solar, esse é o nascimento de Deus-Sol no momento em que o signo de Virgo ou Virgem se levanta no horizonte. Começam aqui os símbolos e as lendas. O Menino nascido está sujeito a todas as debilidades infantis. Ele, então, representa “a alma frágil que nasce para a Evolução”. A Matéria O aprisiona para matá-lo. Ele, porém, lentamente triunfa e modela o corpo para um destino sublime.

Consegue a maturação do corpo e se crucifica nessa matéria com a finalidade de derramar da cruz todas as energias de sua vida, sacrificada em benefício do progresso da criação.

Padece, depois morre para os sentidos e é sepultado; mas levanta-se com o corpo astral radiante que torna veículo ou vestimenta (da alma) e vive através das idades. A crucificação de Cristo é uma parte do grande sacrifício cósmico. Todas essas alegorias da crucificação nos mistérios se materializavam até o ponto de tornar-se morte verdadeira de uma pessoa, sofrida na Cruz e num crucifixo levado por um ser humano que expira.

Toda esta história é hoje a história de um homem; foi aplicada ao Instrutor Divino, Jesus, e transformou-se na história de sua morte física, assim como o seu nascimento de uma Virgem e a infância rodeada de perigos. Sua Ressurreição e Ascensão chegaram a ser assim como incidentes de sua vida. Os Mistérios desaparecem, mas as lendas chegam a ser a vestimenta do Instrutor da Judéia.

O Cristo Cósmico desaparece no Cristo Histórico. “Para os Iniciados, porém, o Cristo era, é e será sempre o dos Mistérios, que está intimamente ligado ao coração humano – o Cristo do Espírito Humano – o Cristo que vive em cada um de nós, que aí vive, é crucificado, ressuscita dentre os mortos e sobe ao céus, em meio dos sofrimentos e dos triunfos de todo “Filho do Homem. A vida de todo Iniciado nos Mistérios celestes está traçada em grandes linhas na biografia dos Evangelhos. Por isso São Paulo fala do nascimento, da Evolução e da maturação completa de Cristo no discípulo.

Todo homem é potencialmente um Cristo e segue de um modo geral a narrativa dos Evangelhos nos incidentes principais. Mas, como já dissemos, esses têm um caráter Universal e não Partcular.

Cinco grandes Iniciações esperam o aspirante a Cristo. A primeira É O SEGUNDO NASCIMENTO DO CRISTO NO CORAÇÃO, POIS O DISCÍPULO NASCE NO REINO DE DEUS INTERNO, COMO UM MENINO. “SE NÃO VOS TORNARDES COMO MENINOS, NÃO ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS” DISSE JESUS. Jesus nasceu na caverna. (É a gruta da Iniciação conhecida pelos antigos como a “Caverna da Iniciação”.) Em cima da gruta brilha a ESTRELA DA INICIAÇÃO, cuja luz resplandece pelo nascimento da LUZ INEFÁVEL.

Sua vida está em perigo por causa das tenebrosas potências do mal. Apesar de todo o perigo, alcança o estado viril, porque, uma vez nascido, não pode o Cristo morrer, tem de terminar sua evolução no homem. Sua vida se expande em beleza e força, crescendo em sabedoria e espiritualidade até alcançar a Segunda Iniciação.

A Segunda Iniciação é o batismo da água ou o domínio de todos os desejos, o qual lhe confere os poderes necessários a um Instrutor. Então, descendo o Espírito Divino sobre Ele com a glória do Pai Invisível, ilumina-o e assim chega a ser “O FILHO BEM-AMADO”, A ELE SE DEVE ESCUTAR.

Logo Ele é levado ao deserto da Matéria para ser tentado. O inimigo secreto, que reside no baixo-ventre ou no inferno (parte inferior do corpo), esforça-se por lhe mostrar a dificuldade de seguir a senda, e convida-o a servi-lo, para a sua própria tranqüilidade e proveito pessoal. Ele, porém, vence o Tentador e a Tentação e volta aos homens, a fim de alimentá-los com o pão da vida e curá-los das doenças.

Depois de tantos serviços impessoais e sofrimentos internos, galga a montanha sagrada da Terceira Iniciação, onde se transfigura, tornando-se tão radioso quanto o Sol.

Estará, então, preparado para o BATISMO DE FOGO ou o BATISMO DO ESPÍRITO SANTO e a entrada na última etapa do caminho da Cruz. É, então, perseguido e vituperado; contudo, não deixa de crescer a vida do amor. Bebe o cálice amargo da traição, do abandono, e é negado por todos os seus. Anda desapreciado pelos homens, carregando a cruz na qual deve morrer, renunciando à vida do mundo inferior.

Cercado de inimigos triunfantes, o seu heróico coração lança um grito ao Pai que parece tê-lo abandonado, e então abandona o corpo de desejos. Ele, o iniciado, desce aos infernos para poder salvar os que pedem auxílio e os átomos que desejam trabalhar sob o estandarte do Ser Interno. Volta depois à luz, abandonando as trevas inferiores, com o sentimento de que é o Filho Inseparável do Pai.

Uma vez terminados os seus deveres na vida terrestre, Ele sobe ao Pai por meio da Quinta Iniciação, porque já está unido ao Deus Íntimo.

É esta a história dos Cristos e dos mistérios, ou do Cristo dos Mistérios, sob o duplo aspecto – Logos e homem –, cósmico e individual.

Jesus é considerado como o Cristo Místico e Humano, que luta, sofre e, finalmente, triunfa: é o homem em quem a humanidade se vê crucificada e ressuscitada, cuja história promete uma vitória a todos os que, como Ele, forem fiéis até a morte, e até mais além da morte.

Jorge Adoum


22 de mar de 2013

Religião e Política


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81 - Disse Jesus: aquele que se tornar rico, que venha a ser rei, saiba dominar-se; e aquele que tiver poder, que renuncie a ele.

Toda a verdadeira riqueza e felicidade consiste em saber restringir-se ao necessário. Toda a grandeza do poder consiste em saber usar o menos possível esse poder.

No mesmo sentido escreveu Goethe: “É na restrição que se revela o Mestre”. E Schweitzer afirma: “Não há heróis da ação, há tão-somente heróis da renúncia e do sofrimento”. Einstein repete que a grandeza do homem não está em descobrir fatos, mas em crear valores; os fatos vêm das circunstâncias de fora, os valores vêm da substância de dentro. Lao-Tse não se cansa de insistir na importância daquilo que o homem é no seu Ser, e não no que ele tem no seu fazer.

Assim, a felicidade do rico não está em ter milhões, mas em saber tê-los com disciplina e moderação. A felicidade do poderoso não está na medida do seu poder, mas na limitação voluntária do seu poder, na renúncia àquilo que o poder lhe faculta fazer, mas que a consciência manda limitar o mais possível.

Jesus podia ter morado num palácio de ouro e ter-se banqueteado esplendidamente todos os dias; isto, porém, não teria sido a sua grandeza, mas sim o limite da sua grandeza. Em vez de ostentar riqueza e poder, o Nazareno preferiu não ter onde reclinar a cabeça.

Esta mesma sabedoria de voluntária restrição, aliás, já foi ensinada e praticada pelos antigos estóicos gregos e romanos; também eles sabiam que ser alguém pela creação de valores internos é muito mais do que ter algo pelo descobrimento de fatos externos. Um profeta do antigo testamento pede a Deus que não lhe dê pobreza nem riqueza, mas tão-somente o necessário.

Ser e Ter, quase sempre, estão em relação inversa. Verdade é que, de per si, o Ser é compatível com o Ter; mas quase nunca um homem grande no seu Ser está interessado no Ter; limita os seus teres ao mínimo necessário para uma existência dignamente humana. É tão difícil para o sábio ser rico como para um rico é difícil ser sábio.

Nem o ter nem o não-ter é grandeza; a grandeza está no modo como alguém sabe ter ou não-ter, possuir ou não possuir.




20 de mar de 2013

Divina Comédia Humana


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80 - Disse Jesus: aquele que conheceu o mundo encontrou um cadáver, mas aquele que encontrou um cadáver, o mundo não é digno dele.

http://allaboutcards.files.wordpress.com/2009/05/major16.jpgQuem conheceu o verdadeiro caráter deste mundo material, sabe que o mundo é um corpo morto, e não a alma viva. E para esse conhecedor espiritual o mundo não é digno de amor. Esse homem tolera o mundo, mas não se apaixona por ele. Só um ignorante pode ignorar o mundo como se ele fosse digno de amor e adoração.

Auto-conhecimento transborda em auto-realização. Para o auto-realizado todas as alo-realizações são ilusórias.

19 de mar de 2013

Valorização da vida carnal


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79 -  Uma mulher da multidão disse a ele: bendito seja o ventre que te gerou e os seios que te amamentaram. Disse-lhe ele: benditos são aqueles que ouviram a palavra do Pai e a guardaram verdadeiramente. Pois haverá dias em que irá dizer: bendito o ventre que não concebeu e os seios que não amamentaram.

Lucas refere estas palavras em outra conexão. Mas o sentido básico é o mesmo. Uma mulher tipicamente feminina bendiz a mãe de Jesus, encantada com as palavras dele. O Mestre, porém, passa da concepção humana de Jesus para a concepção divina do Cristo. Para ele, é mil vezes mais feliz a alma que concebeu o Cristo do que qualquer pessoa que concebeu um ser humano. E, se alguém gerou e nutriu o corpo de uma criança, mas não concebeu e nutriu o espírito do Cristo, essa creatura é infeliz.

Mil vezes mais importante é o nascimento pelo espírito do que o nascimento pela carne.

Nossos pais nos deram o corpo, mas a nossa alma vem de Deus.

Através de todos os Evangelhos se observa um certo menosprezo de Jesus pelo parentesco carnal, e ao mesmo tempo uma grande estima pela afinidade espiritual. Ele dá pouca importância à família que nos fez, e dá muitíssima importância à família que nós fazemos.

Para o homem profano, é repelente essa mentalidade de Jesus, uma vez que o homem comum é incapaz de pensar e sentir a grandeza da vida espiritual, que era o ambiente natural do Cristo encarnado em Jesus.


16 de mar de 2013

Busca da Verdade Universal


Nude in the Desert Landscape - Salvador Dalí


78 - Disse Jesus: porque ides ao deserto? Para ver o junco sacudido pelo vento? E para ver um homem envolto em finos panos? (Vede, vossos) reis e os altos dignatários são aqueles que vestem finas (roupas), no entanto, não conseguirão conhecer a Verdade.

 É sabido que estas palavras foram ditas com referência ao homem austero que era João Batista. Mas são aplicáveis a todo e qualquer homem que prefere a escravidão blandiciosa à verdade austera. Mahatma Gandhi falava de experiência própria quando dizia: “A verdade é dura como diamante, mas é delicada como flor de pessegueiro”.

É experiência geral que a transição duma vida profana para uma vida sagrada é terrivelmente dura e austera; e os que não têm a coragem para enfrentar essa “dureza diamantina” nunca chegarão a conhecer a “delicadeza flórea”, porque, no início, o caminho que conduz ao Reino de Deus é “caminho estreito e porta apertada”; somente no fim da espinhosa jornada se revela “jugo suave e peso leve”.

No princípio, o profano não está sintonizado com a nova dimensão de espírito, e o mais belo dos mundos lhe parece dissonante, por falta de sintonização do seu aparelho receptor com a estação emissora da música divina. Uma vez que o homem sintonizou a sua alma com o espírito de Deus, não há nada mais suave e encantador do que esta música.

Mas os que são como juncos frágeis agitados pelos ventos da multidão profana; os que não têm disciplina interior e temem a dureza inicial – esses jamais saborearão as delícias da verdade.

 

15 de mar de 2013

Jesus


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77 - Disse Jesus: Eu sou a luz, que está acima de todos. Eu sou o “Todo”. O Todo saiu de mim, e o Todo voltou a mim. Rachai a madeira – lá estou eu. Erguei a pedra – lá me achareis.

Palavras como estas têm um sabor genuinamente oriental, hindu. É tradição cristã antiga que o apóstolo Tomé viveu e morreu na Índia.

As palavras de Jesus acima referidas por Tomé fazem lembrar o princípio do Evangelho de João: “No princípio era o Lógos... tudo foi feito pelo Lógos, e sem ele nada foi feito do que feito foi... Eu sou a luz do mundo”.

No Evangelho de Tomé, Jesus, referindo-se ao seu Cristo, diz que ele é a luz, que o Todo, o Universo, veio dele e volta a ele.

No capítulo XI, da Bhagavad Gita, encontramos palavras idênticas: Krishna, o Cristo oriental, a suprema encarnação humana de Brahman, afirma que ele é o Creador do Universo, que tudo está nele, e ele está em tudo. Brahman, a Divindade, o Espírito Universal, Eterno e Infinito, o Uno, se manifesta pelo Verso, e a primeira e mais perfeita emanação individual do Espírito Universal, é chamada o Lógos, isto é, a Razão. A Razão é a mais alta manifestação do Espírito, da Divindade, da Brahman. Nos seres inferiores, a Razão se manifesta como Inteligência, Noos em grego. Daí, em sentido descensional, nascem a vida, a luz, a matéria.
No mundo físico, é a luz a mais alta Realidade, e a matéria a mais baixa.

http://www.biddytarot.com/cards/magician.jpgHá cerca de 3.500 anos, Moisés escrevia o mesmo, por intuição: “No primeiro yom, os Elohim fizeram a luz”.

Hoje, a nossa ciência sabe que os 92 elementos da química e seus derivados são condensações da luz (Ideação), são lucigênitos.

Ultimamente, os corifeus da Era atômica, de Princeton, elaboraram uma síntese genial desta verdade, a que deram o nome de “Gnose”, palavra grega para conhecimento intuitivo. Afirmam estes cientistas que o Universo se assemelha a uma tapeçaria que, quando vista pelo lado direito, se chama religião, e, quando visto pelo avesso, se chama ciência. Mas o Universo é um só, Uno na sua causa Verso em seus efeitos.

***

Rachai a madeira e lá estou eu; erguei a pedra, e lá me achareis.

Essas palavras são a continuação de capítulos anteriores, frisando a onipresença do Cristo-Lógos.

Para o homem-ego, para o profano, o não-iniciado, palavras como estas são absurdas, ou então panteísticas. O homem empírico-analítico, que se guia exclusivamente pelo testemunho dos sentidos e do intelecto, é incapaz de compreender a onipresença do espírito; só conhece presenças parciais, sucessivas, percebidas pelos órgãos físico-mentais. A presença total, porém, a simultaneidade da onipresença, intuída pela razão espiritual, lhe é tão impossível como um círculo quadrado, como uma brancura preta, como uma doçura amarga. Quando o homem profano, empírico-analítico, tenta conceber a onipresença simultânea do espírito, cai ele no erro de imaginar uma série de presenças sucessivas, supondo uma existência individual de Deus em cada creatura, chegando assim ao ridículo de um politeísmo caótico, ou de um panteísmo ingênuo.

Somente nas alturas duma verdadeira intuição espiritual pode o homem compreender a presença de Deus na madeira, na pedra, em toda parte. A intuição espiritual não é um prolongamento da inteligência analítica; é antes um novo início, uma invasão cósmica no homem. O homem não é o fazedor dessa invasão, mas sim o recebedor dela. E esta invasão cósmica só acontece quando o homem se torna invadível, quando o homem crea em si uma abertura  por onde a alma do Universo o possa invadir. O ego-esvaziamento é a condição indispensável para que lhe aconteça a cosmo-plenificação.


14 de mar de 2013

A Consciência Crística


Perseu


76 - Disse Jesus: o Reino do Pai é como um homem, um mercador, que possuía muitas mercadorias e encontrou uma pérola. O mercador foi prudente. Ele vendeu as mercadorias, comprou a pérola para si. Buscai vós também o tesouro imperecível e perene, aquele que nenhuma traça pode roer e verme algum pode destruir.

 Esta parábola, referida algo diferente por outros evangelistas, focaliza a idéia central de todos os ensinamentos de Jesus: Procurar o Reino de Deus, mesmo à custa de todas as outras coisas do mundo. Tudo que fascina o ego humano são apenas quantidades ilusórias, ao passo que a única qualidade verdadeira é aquilo que o Mestre chama “a única coisa necessária”, o Reino de Deus, que está dentro do homem, mas é um tesouro desconhecido ao profano.

 
http://www.oceansbridge.com/paintings/artists/recently-added/july2008/big/Perseus-and-Andromeda-1723-xx-Francois-Lemoyne.JPGAs verdadeiras pérolas materiais nascem dentro dumas conchas no fundo do mar. Para apoderar-se duma dessas pérolas, deve o homem arriscar-se a um mergulho nas profundezas do mar.

Para descobrir a pérola do Reino, que está nas profundezas da alma, deve o homem mergulhar profundamente dentro de si mesmo, deve perder de vista todas as praias e litorais do mundo externo, a sociedade dos homens, e arriscar-se a submergir na tenebrosa solidão de Deus – em busca da luz, da pérola, da verdade.

Mas, como uma única qualidade real compensa todas as quantidades ilusórias, o homem que descobre o Reino de Deus não perde nada; perde nulidades, para ganhar a Realidade.

Para que o homem possa adquirir tão grande riqueza, deve ele, acima de tudo, adquirir uma nova visão, uma espécie de intro-visão, ou ultra-visão. Quem só vê com os olhos do corpo ou da mente, mas não tem o “olho simples” do espírito, não sabe dar valor à pérola preciosa e prefere o seu armazém de futilidades ao tesouro imperecível da alma.


12 de mar de 2013

A Lei e o Cristo


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75 - Disse Jesus: muitos estão à porta, mas somente os solitários entrarão na câmara nupcial.
 
A suprema experiência espiritual aparece sempre na forma de núpcias místicas com o divino Esposo. A alma humana é como uma virgem que se entrega totalmente a Deus.

Muitos desejariam celebrar estas núpcias divinas, mas não conseguem cruzar o limiar da porta que conduz ao interior desse tálamo místico.

http://www.escreveretriste.com/wp-content/uploads/2013/01/Paolo_Uccello-a-princesa-e-o-drag%C3%A3o.jpgQue é que os impede se estão diante da porta, por que não entram? Porque não se entregam ao divino Esposo? Qual o seu obstáculo?

O seu obstáculo é a sua falta de solidão. Não são almas suficientemente solitárias. Andam mancomunando com outros amores. Não são almas virgens, puras; estão cheias de desejos e compromissos profanos. Não são monogâmicas – vivem nas poligamias do ego.

Os que entram na sala e celebram as suas núpcias divinas são as almas solitárias, as que disseram adeus aos amantes mundanos, que se afastaram dos ruídos da multidão, perderam de vista todos os litorais da sociedade e todas as praias dos interesses do ego, e se deixaram empolgar pelas ondas bravias dos mares de Deus.

Todo o homem realmente espiritual verifica que a sua solidão aumenta na razão direta da sua espiritualização. O homem profano é rodeado de muitos, o iniciado é cada vez mais isolado – até que a sua solidão atinge o cume do Everest, onde a alma se encontra com Deus em total solidão e silêncio, em absoluta nudez espiritual. Nem pai nem mãe, nem filho nem filha, nem esposo nem esposa, nem amigo algum nos pode acompanhar nesse último trecho da nossa jornada à silenciosa Divindade. A alma a sós com Deus...

Na razão direta que o homem se espiritualiza, mais se incompatibiliza com a sociedade em que vive. Os assuntos dos seus amigos de outrora não o interessam mais; e o que o interessa não interessa aos outros. Quanto mais o homem se aproxima da Deus, mais se distancia dos homens que não se aproximam de Deus. Mas por outro lado, o homem espiritual encontra o seu mundo de afinidade interior mil vezes mais belo que todas as sociedades profanas de outrora. Ele vive na “comunhão dos santos”

Também na vida de Jesus aparece essa progressiva solidão: no domingo de ramos, milhares de amigos o ovacionaram. Na santa ceia, ainda são doze. Pouco depois, onze. No horto das oliveiras, são apenas três que acompanham o solitário sofredor. No calvário só lhe resta um dos seus discípulos. E deste único discípulo fiel Jesus se desfaz, entregando-o à sua mãe. E assim, em total solidão e desnudez, pôde ele dizer: “Está consumado... Pai em tuas mãos entrego o meu espírito”...

Muitos estão diante da porta – poucos entram no interior do santuário – são os grandes solitários...



 


11 de mar de 2013

Caminho, Verdade e Luz


74 - Disse ele: Senhor, muitos rodeiam a fonte, mas ninguém entra na fonte.

Já no início da Era Cristã, lamentava o grande Orígenes, de Alexandria, que muitos falassem do Cristo e poucos se cristificam. Muitos sabem que existe uma fonte de águas vivas, poucos bebem dessa água.

Este mesmo fenômeno, aliás, se repete no mundo inteiro: quase toda a Ásia conhece a sabedoria de Buda, de Krishna, de Lao-Tse; muitos admiram as “quatro verdades nobres”, a Bhagavad Gita, o Tao Te King – e poucos descem à profundeza dessas fontes de sabedoria vivenciando-a. quase todo o ocidente, europeu e americano, se diz cristão; muitos lêm os Evangelhos,fazem sermões, conferências e escrevem poesias sobre os ensinamentos de Jesus – mas quantos orientam a sua vida pelas grandes verdades do Cristo?

É fácil andar ao redor da fonte, espelhar-se em suas águas, contemplar a sua limpidez – sem beber uma gotinha das suas águas vivas. Difícil é descer às profundezas da fonte, beber da sua vida e vitalizar com ela todos os setores da vida. No colóquio com a samaritana, disse Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e aquele que te fala, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva, e essa água se tornaria em ti uma fonte de águas vivas, jorrando para a vida eterna”.

No princípio, as águas parecem fluir de fora para dentro de nós; no fim, porém, verificamos que se formou dentro de nós mesmos uma fonte de águas vivas, que nós mesmos somos uma nascente – e então essas águas jorram de dentro para fora, beneficiando também os outros. Ninguém pode ser beneficente antes de ser benevolente. Ninguém pode fazer bem aos outros se não for bom em si mesmo. Ninguém pode fazer transbordar as suas águas, se não tiver plenitude delas. Somente a plenitude interna é que pode transbordar externamente. Somente a consciência mística pode transbordar em vivência ética*.

Quem não descer à profundeza da fonte, perde o seu tempo em rodear a fonte.





 * Ética é um termo humano para descrever uma realidade divina - indvidual, absoluta e  intransferível.

 

9 de mar de 2013

Crescei e Multiplicai-vos


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73 - Disse Jesus: a colheita é verdadeiramente grande, mas os trabalhadores são poucos; por isso, implorai ao Senhor para que Ele mande mais trabalhadores para a colheita.

Essas palavras, também referidas por outros evangelistas, adquirem em nossos dias um sentido todo especial: é sem precedentes a fome e sede que milhares de homens têm do mundo espiritual e divino. 

Quanto mais cresce, por um lado, a profanidade duma parte da humanidade, tanto mais cresce também a espiritualidade de outra parte. Em todos os cinco continentes do globo existem numerosos grupos de homens e mulheres que fazem diariamente a sua hora de meditação. Em tempos antigos, meditação era para os yogues orientais, ou, aqui no ocidente, para pequenos grupos de frades e freiras, nos mosteiros e conventos. Um homem do mundo não pensava em meditação. Hoje em dia, há centenas de milhares de industriais comerciantes, cientistas de laboratório e professores de universidades, homens de todas as profissões e setores sociais, que fazem diariamente a sua concentração mental e meditação espiritual. A sua Cristo-conscientização. Este fenômeno prova que muitos homens já descobriram que o encontro com sua alma favorece não somente a vida após-morte, mas também a vida presente.

Sendo que as leis que regem o macrocosmo mundial são as mesmas que governam o microcosmo hominal, não admira que assim aconteça. Quanto mais se intensificam as forças centrífugas rumo à periferia, tanto mais se intensificam também as forças centrípetas rumo ao centro. Se assim não fosse, o cosmos deixaria de ser um sistema de equilíbrio e harmonia, e acabaria num pavoroso caos de desequilíbrio e desarmonia.

O que no mundo extra-hominal é garantido pela Inteligência Cósmica, deve ser garantido, no mundo hominal, pela consciência do livre arbítrio. O homem moderno, cada vez mais solicitado pelo centrifuguismo do ego periférico, se sente imperiosamente impelido a intensificar o centripetismo do seu Eu central, a fim de manter a integridade e coesão da sua natureza humana. Verdade é que esse centripetismo espiritual abrange apenas uma pequena elite, e não a grande massa humana. Mas essa elite espiritual pode atuar como fator espiritualizante no meio da massa profana. Se é verdade o que Mahatma Gandhi disse – que um único homem plenamente espiritual neutraliza a profanidade de muitos milhões – então a pequena elite pode equilibrar o desequilibramento da massa profana.

Hoje, na plenitude dos tempos, no início da Era do Aquário, se definem cada vez mais as posições: o preto se torna mais preto, o branco se torna mais branco – em que pese aos amigos do cinzento, que ainda não sabem o que fazem.

"Eu suponho que vocês estejam interessados em Meditação... Que esse interesse traga vocês aqui. E é tão interessante essa palavra: Meditação. Se nós acessarmos o nosso dicionário português, temos Meditação normalmente traduzida como "a contemplação de um objeto". Ou seja, que você coloca toda sua atenção num determinado objeto: num problema, ou no mar, ou numa imagem, talvez num mantra - eu não sei se o dicionário português chega a acessar o mantra - mas normalmente é dado como uma concentração, uma contemplação num certo objeto. É incrível que tenhamos chegado a essa tradução de Meditação. Tem até uma música do Tom Jobim chamada "Meditação", que na verdade é uma contemplação do Rio de Janeiro, do mar, do Jardim Botânico, da floresta... seja lá o que for.

Se a gente for transportado para a raiz de onde vem essa palavra, ela vem da Índia, vem do Sânscrito, vem de "Dhyana", de Dhyan. E essa raiz original não aponta nem para concentração, nem para a contemplação de um objeto. Meditação, na verdade, é o avesso de contemplar um objeto. É quando não existe nenhum objeto, nem sujeito, nem contemplação... É aquele momento onde nada está acontecendo. Nada acontecendo! E nada, aqui, como algo positivo, e não como a negação de alguma coisa - porque "nada" na nossa linguagem significa ausência de alguma coisa. E quando todas as coisas se ausentam, alguma coisa fica presente, essa presença é a Meditação.

Normalmente somos convidados e nos é dado através de "n" métodos, para que nós, através de uma manipulação sensorial cheguemos a esse "estado de nada fazer" e, que talvez pelas frestas daquele "nada fazer" a gente perceba "o Nada". Mas é incrível quando é dito dessa forma, quando é posto dessa forma - e é isso o que estamos buscando com a Meditação. Porque quando você percebe "o Nada", esse "nada" é um objeto sendo percebido. E isso não é Meditação tampouco. Isso ainda é contemplar um objeto.

É tão simples, e ao mesmo tempo é tão complicado. Porque, como é que vamos colocar, ou trazer para nossa realidade, uma coisa que é o avesso de tudo o que aprendemos, de tudo a que fomos condicionados? E aí, a gente olha para a Meditação, então, como a conquista de alguma coisa. Mas se pode ser conquistado, é porque de novo está no mundo objetivo, é algo objetivo, eu posso medir "essa coisa", posso pesar "essa coisa", mensurar "essa coisa". Se eu não conseguir medir "essa coisa", "essa coisa" não é objetiva. E eu poderia entrar aqui num nível bem abstrato, e dizer que tem "uma coisa" subjetiva. Mas existe uma mensurabilidade nessa subjetividade da qual estamos falando. Na verdade, aquilo o qual a Meditação aponta para, está além do subjetivo e além do objetivo. E é incrível! Porque aquilo que a Meditação está apontando para, está aqui e agora, eternamente aqui e agora. O que quer que nós façamos, perguntamos, ou nos propomos normalmente está deitado no tempo. Ou seja, nós olhamos deste momento para algo que vai ser encontrado em algum outro momento, que eu não sei qual, mas para o qual eu estou me preparando. Entendam-me bem! Quando eu olho dessa forma, para isso que estamos fazendo aqui, na verdade, eu estou me afastando, prorrogando, eu estou me enganando... mantendo a minha imaginação intacta. E veja bem: você só vai poder entender com totalidade o que quero dizer (com totalidade, quero dizer que vai além do intelectual), quando você não mais prorrogar. Porque o que eu quero dizer, o que eu estou dizendo, é acessível a cada um de vocês agora.

Eu sei que na cabeça de cada um de nós foi colocada a idéia de aperfeiçoamento, de perfeição, de aprimoramento, de limpeza, de sintonização, de equilíbrio... e tudo isso te coloca na perspectiva de que você tem que prorrogar o seu "dar-se conta", o seu "acordar". O "acordar" fica prorrogado para um novo momento, para uma nova possibilidade. E como você justifica que não entende, por que você não "cai" no aqui-agora? Ou você justifica se colocando para baixo: "eu não sou capaz ainda de entender, eu não estou limpo o suficiente, não estou equilibrado o suficiente". Ou colocando a culpa naquele que vos fala: "Ele não tem o que eu quero!" Ok! Então me diz o que é que você quer... Na verdade, Meditação em si, significa não querer nada, estar totalmente aqui e agora, com as mãos vazias, sem nenhuma distração, sem nenhum desejo. E não apenas! É dar-se conta que aqui-agora você tem tudo do que você precisa, e não existe nenhum outro momento à não ser aqui-agora. À não ser que comecemos a imaginar.

E o que é incrível é que começamos a pensar no futuro e sentimos uma certa ansiedade, uma angústia do desconhecido: "Talvez eu não vá sobreviver". E se pensarmos à respeito do passado, nós sentimos culpa e medo. Culpa pelas coisas que nós não fizemos, que erramos... E o inacreditável é que nessas duas dimensões: de passado e de futuro, só existe a geração desses sentimentos. Eu não consigo ficar em paz pensando no futuro. Você consegue? Você consegue ficar em paz pensando no passado? Duvido muito! Agora, você consegue ficar em paz se você não pensar em nada. E sabe por quê?

É simples! Porque a natureza do aqui-agora é paz. Ela independe do que quer que seja. Não pensa a respeito do que estou dizendo, simplesmente ouve. "Mas como que eu chego ao aqui-agora?" Como é que você vai chegar num lugar onde você já está? A única coisa que te "afasta" do aqui-agora é pensar, imaginar que você não está aqui-agora. E esse é o dilema do ser humano. É que ele imagina que o aqui-agora não está acessível, que algo tem que ser feito para se estar aqui-agora. E as justificativas são enormes. Nenhuma delas cola e, se você tiver alguma, eu o convido a trazê-la para fora para que possamos explorá-la. "Então, por que se torna tão difícil eu ficar aqui-agora?" Como se você estivesse em algum outro lugar... O que acontece é que falta centramento, você se perde nos seus pensamentos. Se pudéssemos olhar com total sinceridade e honestidade para os pensamentos, para os desejos, que são pensamentos ocorrendo na sua mente, como coisas sem importância, como coisas com as quais não existe nenhuma necessidade de eu me invocar ou fazer algo com. O que será que aconteceria?

Experimenta! Assim como aquele pensamento veio, ele vai. Ele vem do nada, não vem de lugar nenhum, e ele some. Nós temos um apego incrível às coisas que nós pensamos, não é?! A gente gosta do que a gente pensa, ou a gente não gosta do que a gente pensa. As duas formas são apego, porque tanto um quanto o outro permanece em círculos, um dentro do outro. Eventualmente eles somem e, de repente você nota: "Nossa! Não penso naquilo faz um tempão!" E incrível é que nós nos apegamos aos pensamentos mas os pensamentos em si, não têm o menor apego para contigo. Não sei se você já notou. Eles não ficam contigo, eles não são fiéis, eles não ficam contigo para sempre. Tem algum pensamento que te acompanha desde o teu nascimento? "Ah! Aquele é o meu fiel escudeiro, ele está sempre na tela da minha mente..." Duvido muito! Mas você coloca toda a sua energia em ser fiel aos pensamentos. Resolver os problemas deles, fazer o que eles disseram ou evitá-los, como se fossem algo real. Agora, se pudesse passar nas suas cabeças nesse instante que nada disso seja real, importante, que não vale a pena se preocupar com esses pensamentos... "Ah! Mas eu tenho que pensar. Como é que eu vou pagar a minha conta de luz amanhã?" Ora! Se fosse verdade, só pensando você pagaria. Mas por incrível que pareça, você pensa muito mais do que você age, pensa mais do que faz. Às vezes você age, inclusive, contra aquilo o que tinha pensado. E chega até a ser ridículo... Como é que pode, se você gastou tanto tempo pensando, determinando, tomando decisões, conclusões... e aí, chega na "hora H", e acaba fazendo o oposto? Dá pra entender o que quero dizer com o ridículo dos pensamentos? Será que é preciso essa "pensamentação" toda, essa seriedade com a qual você olha pra eles? Ou será que de repente eu posso desconfiar? Porque é a isso que eu convido.

Meu convite é que você desconfie de todos os pensamentos que você tenha. Todos! Não só dos pensamentos ditos negativos que passam na tua cabeça, mas de todos. Dos positivos também. Passa um... Tá! "Tu tens que fazer alguma coisa"... Tá! A proposta dos monges budistas, dos monges tibetanos menos esotéricos, os budistas puros, é: "Não siga nenhum dos teus desejos!" E eu gostaria que você investigasse: no seu dia-dia quantos dos pensamentos são desejos, ou quantos não são desejos?! E os monges dizem: "Não te apega a nenhum desejo!" E nisso tudo eu me afasto daquilo que eu Sou. E a desculpa que eu dou para me afastar é que eu estou em busca daquilo o que eu Sou. É criada uma desculpa, contraditória. Como é que você vai buscar você mesmo, afastando-se de você mesmo? E quando eu falo "você mesmo" não tem a ver com o seu corpo, nem com a sua mente. Mas parece brincadeira... O Osho fala de uma certa natureza, de uma coisa biológica, que todos nós somos uma pessoa de sucesso, que nascemos de um sucesso primário. E sabe qual é o sucesso? Vocês deveriam ganhar uma medalha porque vocês foram os únicos espermatozóides a fecundar aqueles óvulos, em meio a milhões. Vocês competem. Desde então, é uma competição. Está desenhado na biologia, na forma. "Primeiro espermatozóide"! Todos vocês chegaram, se não vocês não estariam aqui. Você devia colocar um quadro na sua parede, com um diploma: espermatozóide vencedor - 1958. "Na competição de 1958 eu ganhei a corrida, eu cheguei primeiro, ou, eu fui o escolhido. Eu fiquei lá dando voltinhas no óvulo". Essa é a teoria mais moderna: não é o que corre mais. Vários chegam, e eles ficam circundando o óvulo, o óvulo fica tirando um teste, olhando, olhando... "Hum! Não gostei desse!"..."Ah! Esse aqui tá bom!" E aí ele chupa o espermatozóide pra dentro, ele engole. E lá se foi um espermatozóide. E os outros ficam ali até morrer. Eles não fazem mais nada. Não acontece mais nada. Às vezes acontece de dois entrarem ao mesmo tempo. Ou tem dois óvulos, e daí, dois espermatozóides... Mas basicamente é um. Essa competição é óbvia, ela está desenhada na nossa estrutura. E a gente continua... Só que o que é incrível é que a teoria, ou o que dizem, é que nós estamos em busca. Em busca do quê? Nós ignoramos. Nós vamos saber na medida que procuramos, que buscamos a natureza dessas coisas todas. E seguimos em busca da essência. No meio do caminho essa busca da essência pode se dar como busca pelo dinheiro, pelo poder, relacionamento, satisfação...

Mas todas essas coisas são temporárias, elas apenas apontam para uma busca essencial mas elas não são o resultado. E o que é incrível, é que nessa busca parece que a nossa natureza nos obriga a fazer uma coisa que é contrária ao que tem que ser feito. Por isso que a Meditação, todas as técnicas que vocês experimentaram, elas buscam uma calma, um acalmamento dos sentidos, uma pacificação do corpo e da mente. Não buscam? E é como se você se metesse lá no meio da corrida dos espermatozóides em direção ao óvulo, e dissesse para um outro espermatozóide: "Senta aí, quietinho. Sua hora chegará, não te preocupa". Cruza as perninhas, e lá fica o espermatozóide. Mas não está na natureza do espermatozóide fazer isso. Claro, é necessário... Pra ele completar a busca da essência, ele tem que fazer a corrida. Mas ele chegou no óvulo , e agarra o óvulo, e é fecundado. Uma célula nasce, e essa célula se reproduz infinitamente. E o que é incrível é que é uma única célula. Você aí, é só uma célula reproduzida ad infinitum. Você continuamente está se reproduzindo, se mantendo. Essa forma é mantida num movimento perpétuo até que não consiga se mover mais, se reproduzir mais, ela canse, a energia se gaste. E o que é que anima isso? O que é que anima esse movimento? Eles chamam de Silêncio. E eu busco essa essência fora de mim, por isso que eu faço tudo o que faço. Faço terapia... e o que é mais moderno é que as terapias estão se confundindo com busca espiritual. E é impossível. Porque nenhuma terapia vai encontrar o "espírito". Nenhuma. Ela não foi desenhada para fazer aquilo. Todas as terapias vão ter que ser abandonadas num certo momento. A terapia é desenhada apenas para o teu sistema se desintoxicar de pensamentos negativos, sentimentos negativos e química negativa que está fluindo no teu corpo. As coisas que você comeu... Mas! veja bem: todas essas coisas são temporárias, porque chega um ponto que você não pode ficar continuamente fazendo terapia. Porque não existe aperfeiçoamento..."  SATYAPREN



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